sexta-feira, janeiro 23, 2009

a pequena emoção que sentimos ao conhecer os rios que estudamos na escola

para selvi

o rio reno é o rio rhin é o rhein river é der rhein
o rio minho é o rinho meu era de meu pai e de meu avô
o rio tâmisa é o river thames
o rio sena é seine
o rio douro é o rio doro é o que estudaste na escola
o rio da plata da prata é o que nos separava
o rio clyde se escreve assim mas se diz claid
o rio mapocho é raso
o rio de janeiro era rio
o rio grande do sul idem
o rio o rio o rio como se chama
que ia te dizer como se chama o rio
o rio tejo é o river tagus
o rio ave não bate as asas
o rio tietê das garrafas plásticas
o rio o mar que te ia dizer o arroio
o arroio pelotas que não estudaste
como se chama o rio em rawson
como se chama o rio em rawson

domingo, janeiro 18, 2009

angie h.

angie h. deve estar morando nalguma ilha escocesa sem conexão à rede mundial de computadores, rodeada de ovelhas e de moças ruivas que fumam haxixe de plutãomenistão. quando havia cartas, voltavam anotadas. destinatária mudou-se. houve um e-mail, enviado por meio de um cunhado em 1999. ela dizia que logo teria seu próprio e-mail. me escreveria. 

angie h., você gostaria de saber que aprendi a fina arte do letting go. já que você não está no facebook, caminha pra luz, querida. leva essas memórias da gente tomando cidra, eu com um pin que dizia "preste atenção, eu posso dizer algo importante", você com uma cara de "i'm with loser". 

leva também as instruções para estrear um par de doc martens. as docs estalando de novinhas nos seus pés e você foi raspá-las contra um muro chapiscado. que tipo de pessoa faz questão de estragar um par de sapatos versus que tipo de pessoa sai com docs novas por aí?

espero que você seja feliz entre as ovelhas e as ruivas. já não teríamos mais nada para nos dizer, com exceção de que temos de praticar mais intensamente o letting go. não precisa me googlar, cuide dos seus pés, e adeus.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

pra ver no fim de semana




a primeira parte do primeiro episódio de V, a batalha final.
está dublado em espanhol. tem muito, muito mais lá no djutube.
bacanas books & porquinhos in heaven

é o nome da biblioteca do fabio morais. uma biblioteca de livros bacanas. quer conferir? entre os livros bacanas estão navilouca, poemobiles e os autonautas da cosmopista. bacanas books indeed.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

estou lendo a primeira parte da trilogia USA, do john dos passos; já li a introdução três vezes, uma em voz alta. é de te fazer jogar fora qualquer manual de redação & estilo, disse ontem pro fabrício. penso mais uma vez no tom robbins. t.r. recomenda jogar napalm sobre os ombros antes de escrever. o que funciona, funciona. 

procurei vídeos sobre john dos passos no youtube e encontrei um documentário intitulado "chuva", do holandês joris ivens (joris é a versão neerlandesa de jorge). pois consta que o joris ivens, stalinista, se empenhou em desacreditar o john dos passos aos olhos da esquerda mundial, dizendo que ele era trotskista. considerando a posição dos olhos da direita mundial, creio que o resultado foi um estrabismo internacional.

bom, "chuva" é lindo. me faz lembrar de todas as chuvinhas que peguei aqui. meu guarda-chuva vermelho que não resiste ao vento. minha capa de chuva amarela, ainda em sua embalagem chinesa. meus casacos não-impermeáveis. batata frita na chuva.

e a introdução a "USA" é demais. 

aqui vão.



regen  (1929), de joris ivens (primeira parte)



& o primeiro parágrafo da introdução a USA, no livro the 42nd parallel, publicado em 1930:

The young man walks fast by himself through the crowd that thins into the night streets; feet are tired from hours of walking; eyes greedy for warm curve of faces, answering flicker of eyes, the set of a head, the lift of a shoulder, the way hands spread and clench; blood tingles with wants; mind is a beehive of hopes buzzing and stinging; muscles ache for the knowledge of jobs, for the roadmender's pick and shovel work, the fisherman's knack with a hook when he hauls on the slithery net from the rail of the lurching trawler, the swing of the bridgeman's arm as he slings down the whitehot rivet, the engineer's slow grip wise on the throttle, the dirtfarmer's use of his whole body when, whoaing the mules, he yanks the plow from the furrow. The young man walks by himself searching through the crowd with greedy eyes, greedy ears taut to hear, by himself, alone.
pichado nas estrelas

clica aqui pra assistir a incrível tetê espíndola lavando os pratos. é uma bela maneira de se começar o dia. principalmente se você deixou a louça da janta pra lavar depois do café da manhã. pois saiba que os pratos adoram nadar. 

quarta-feira, janeiro 14, 2009

acordo & bocejo

li a coluna do elio gaspari esta manhã. quando cheguei a patuleia, parecia que alguma coisa estava faltando, sabe? já andei escrevendo umas ideias por aí e por aqui. é apenas uma fotografia na parede, mas tá torta. 

talvez a ficha tenha caído com patuleia porque minha mãe se chama léia. ela é rebelde e ainda escreve umas palavras segundo as regras do acordo anterior. escreve côco, para deixar bem claro que não é cocô. nem pensar em assinar leia. ok, exagero. o acordo não vale para nomes, certo? por favor digam que não vale.

não é o primeiro acordo ortográfico que abre as asas sobre mim. quando aprendi alemão, nos anos 90, tive que desaprender umas dezenas de cousas enquanto passava gel no cabelo e vestia e desvestia minha camisa xadrez. escrever rad fahren (andar de bicicleta) não me parecia muito menos complicado que radfahren (andardebicicleta). masquequeeusei.

este acordo nuestro me faz ver os pequenos dislexiquetes da segunda série como cidadãos não propensos a aceitar qualquer regra. pequenos rebeldes! e se eu quizer escrever essessão, sôra? 

lembrei que o alexandre, irmão do andrei (dois cidadãos exemplares se levarmos em conta - entre outras coisas! - o respeito à lingua portuguesa), uma vez convenceu sua professora de portugueiz a revisar uma redação. a fessora considerou errada a grafia de uma palavra; o alexandre catou um livro escrito em mil novecentos e guaraná com rolha, mostrou pra fessora a palavra, e a fessora acatou!

mas isso provavelmente tem a ver com o poder de persuasão dos cunha. masquequeeusei.

enfim, eu, antiga estrela dos ditados, gostaria de continuar tendo idéias. ainda estou considerando se vou encher lingüiça. pensando bem, já enchi.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

potato love

He gave Moses a kiss. Moses felt the potato love. Amorphous, swelling, hungry, indiscriminate, cowardly potato love.

Saul Bellow, Herzog (p. 100)

domingo, janeiro 11, 2009

arfur

arthur foi o primeiro americano que vi ao vivo e em cores. foi lá na minha cidade. arthur usava shorts brancos. era estudante de intercâmbio. arthur. arfur. arsur. eu tinha 14 anos, estava no terceiro semestre do inglês e queria praticar. minha família era amiga da família que o acolheu. arthur tinha 17, era gay, quero dizer, naquela época parecia um pouco excêntrico, mas em retrospectiva penso naqueles shorts brancos e concluo: gay, gay, muito gay. conversamos pouco. eu via o arthur no clube, ele era amigo de um cara mais velho, em retrospectiva penso: gay até a raiz dos cabelos pintados. quando arthur foi embora pros states, deixou alguns livros. eu os herdei. eram: o idiota e notas do subsolo, do dostoievski; in watermelon sugar, do richard brautigan, e mother night, do kurt vonnegut.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

- angélica, que tu tá fazeno?
- tô aqui dando chá pras pessoa.
A Gudi Aidia

Minha idéia para ficar rico é ir pra Londres, montar uma barraquinha de camelô do lado de um daqueles chineses da Picadilly Circus que anunciam I write your name in chinese, pregar uma tabuleta I write your name in Portuguese e esperar.


segue em nóis iscrévi, ocê lê, de henrique gaspar, um dos tesouros escondidos da navegação norueguesa.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

I am throwing my arms around
Paris because
only stone and steel
accept my love

"I am throwing my arms around Paris", novo single do Morrissey

terça-feira, janeiro 06, 2009

Groundhog Day!



Um dos melhores filmes de todos os tempos, eu diria. E o Bill Murray é o máximo! Vi Groundhog Day pela ducentésima vez este Natal. Minha irmã Cristina tem o DVD. E eu sempre me esqueço de afaná-lo.

Para os que já são fãs, um regalito: a canção Pennsylvania Polka, com legendas! Pra ouvir no repeat!



Have a nice day!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Harold and Maude

Este fim de semana assistimos ao filme Harold and Maude (acho que em português chama-se Ensina-me a Viver). Fazia muito tempo que não o via. Da última vez, deve ter sido num desses Corujões da vida. Óbvio, o Corujão não existe mais. É que faz muito tempo. Hoje o filme parece bem inocente, mesmo quando se trata de uma relação amorosa entre um adolescente e uma mulher de 80 anos.

A trilha sonora é do Cat Stevens, que em 1977 se converteu ao islamismo e adotou o nome Yusuf Islam.



Um trailer de Harold and Maude (1971)




Yusuf Islam, Where do the Children Play?


Deu vontade de escutar Where do the Children Play em vinil. E depois dormir uma siesta. E depois acordar e tomar um café. Ah, que bom.

domingo, janeiro 04, 2009

Onde andará o H?

Não desejo retomar contato, mas tenho curiosidade. Convivemos dois meses num apartamento em Düsseldorf, com dois outros bolsistas de uma fundação para jornalistas de países em desenvolvimento. H. vinha do Benin. Tinha um metro e sessenta, era magro, um palito de fósforo. Tinha uma cicatriz de uns cinco centímetros em diagonal sobre o nariz, mas desconversava quando perguntávamos como a havia adquirido. H. havia estudado filosofia, gostava de Nietzsche e Camus. Um dia me emprestou O Mito de Sísifo. Isso foi um pouco antes de ele grudar em mim feito cocô em tamanco.

Começou uma noite, bem tarde. Eu estava lendo na cama e me deu vontade de tomar chá. Fui até a cozinha, de pijama mesmo, todos deveriam estar dormindo. Mas H. estava sem sono, e um pouco antes havia decidido ler na mesa da cozinha. Ele ficou muito feliz ao me ver com aquela camiseta surrada, que denunciava a falta de sutiã. A partir desse momento, H. falaria exclusivamente às minhas tetas.

H. estava na Alemanha havia mais tempo e, segundo nossa coordenadora, o desespero já havia tomado conta dele. As garotas, alemãs or otherwise, não lhe davam bola. Ainda segundo a coordenadora, H. tinha muita sorte com as mulheres em seu país porque era jornalista.

Me esquivava de H. como podia. Logo eu, cara? Olha pra mim.

Um dia, na rua, ele tentou pegar a minha mão. Queria andar de mãos dadas. Eu já estava tão cheia que pensava fazer o que minha educação, naquela época, não me permitia: dizer a verdade. O arco-íris de neon na minha testa não estava funcionando com o H.

Daí fomos viajar, todos os bolsistas. Uma semana em Weimar. Chegamos ao hotel e a coordenadora anunciou: havia uma sauna. Os alemães faziam sauna pelados, era a coisa mais normal e saudável. Ela estava muito empolgada com a ideia, insistia, vamos experimentar a sauna. Num momento a sós, lhe contei sobre H. Ela concordou que o melhor, no meu caso, seria manter as roupas.

Não demorou para H. ir ao meu quarto. Ele havia escrito um acróstico para mim. Em francês. Conversamos um pouco, ele cada vez mais romântico. Eu finalmente disse o grande deixa disso. 

"Mas você me daria um beijo?", ele regateou. Eu disse que não, não e não e já fui abrindo a porta. Ele foi embora sorrindo.

Depois veio o check-out. Estava arrumando minha mochila quando H. bateu na porta. Esbaforido. Durante a semana, ele havia visto uns filmes na televisão, mas não sabia que eram cobrados. Vários filmes. Desses com mulheres. Em alguns minutos, a coordenadora descobriria tudo: que vergonha para os jovens jornalistas do Benin. 

Perguntei se ele tinha trazido o cartão de débito. Fomos à recepção e pagamos a conta antes que a coordenadora chegasse. H. agradeceu, até me olhou no rosto. "You are a real friend." E foi isso.

No caminho a Düsseldorf, me depositaram, mala e cuia, em Bochum, onde ficaria dois meses, faria um estágio no jornal mais importante do vale do Ruhr e teria uma mosca de estimação, a Germanita.

Nunca mais tive notícias do H. Deve estar no Benin, cheio de livros do Nietzsche e do Camus, cheio de garotas. Não deve me googlar.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Feliz Ano Novo!

Como estamos todos no mesmo transatlântico, a direção de eventos & depilação a laser gostaria de avisar que amanhã já começam as aulas de Nado Cachorrinho 1. Vai ser no mar mesmo. O único requisito é se atirar.