quinta-feira, novembro 27, 2008


novas

nos eua:

"translating poems from angélica freitas' rilke shake", de hilary kaplan, na segunda edição da revista digital artifact. kaplan, doutoranda em literatura comparada na universidade brown, me escreveu há alguns meses para contar que havia encontrado o rilquexeique numa livraria em porto alegre, durante as férias. e que havia decidido traduzir alguns poemas. o resultado está no link acima. as traduções são excelentes, o artigo também. 

*

em portugal: 

saiu a antologia "a poesia andando: 13 poetas no brasil" pela editora cotovia, que fez 20 anos este mês. o livro foi publicado na coleção inimigo rumor (na qual saiu uma reedição do genial "variações em sousa", do fernando assis pacheco). a organização é da marília garcia e da valeska de aguirre. já teve repercussão: este fim de semana saiu uma reportagem de duas páginas no suplemento ypsilon, do jornal o público. que fixe. o livro traz poemas de fabiano calixto, aníbal cristobo, walter gam, felipe nepomuceno, ricardo domeneck, marcos siscar, carlito azevedo, heitor ferraz, augusto massi e simone brantes. e desta que vos escreve.

terça-feira, novembro 25, 2008

Receitas para engolir e curar o fracasso

Origem, compra, preparo e sabor

1. Ave sertaneja
de porte médio
fibrosa, rija
de vida noturna

Preços: vinte e
sete contos o quilo
no Mercadão de
Madureira ou

trinta e sete
(ágio de dez paus)
nos açougues febris
da rede Mundial

O jeito é pegar
um 254 na madruga
ou encarar de frente
o trem da Central


2. Embrulhe o fracasso
com jornal de ontem


3. Afogue duas postas numa
panela de barro contendo
dois litros de vinho barato

Salgue e asse
em fogo alto

Enfeite o prato
com uma dúzia de

amóreas secas + 100 g
de fios de óvulos


4. Aí vai ele
numa baixela dourada
ridícula - duas
palavras
em francês fajuto
farão sorrir amarelo

o rapaz de
meia-idade e enrubescer
as bochechas
gentis suburbanas
à mesa

Rende
para uma duas três
mil pessoas


Posologia

Uma vez
hiperdosada
vai-se a bula ao
mar de bile


Leonardo Martinelli

segunda-feira, novembro 24, 2008

martinelli

não conheci o leonardo martinelli. nunca troquei um e-mail com ele. pra dizer a verdade, tive um contato breve com o cara. foi no lançamento dos livros da ás de colete lá no rio, em março do ano passado. ele me pediu dedicatória, mas se apresentou só como leonardo. e foi embora. 

depois do lançamento, fui almoçar com a marília e outros amigos. conversando, descobrimos que, ao escrever as dedicatórias, ela tinha trocado o exemplar de "20 poemas para o seu walkman" que pertencia ao leonardo pelo meu exemplar. os dois livros estavam em cima da mesa e havia uma fila de gente esperando para falar com a marília.

fiquei com o exemplar do leonardo, todo anotado a lápis. ele estava escrevendo uma resenha sobre os livros, que depois saiu no jb e na germina. uma versão mais longa foi publicada na inimigo rumor. teve gente que não gostou, uma revista desceu o pau, mas era de se esperar. 

este fim de semana o leonardo morreu. ele tinha 37 anos. 

vai em paz, leo. 


*

domeneck fez uma pequena homenagem ao LM no blog da modo de usar, hoje, com texto sobre o cara e poemas inéditos. passem lá.

domingo, novembro 23, 2008

hoje nevou.






sábado, novembro 22, 2008

quero ver



"milk" (2008), de gus van sant

quinta-feira, novembro 20, 2008


"Have gone to Patagonia."

quarta-feira, novembro 19, 2008

Gone mad, is what they say, and sometimes Run mad, as if mad is a direction, like west; as if mad is a different house you can step into, or a separate country entirely. But when you go mad you don't go any other place, you stay where you are. And somebody else comes in.

margaret atwood, em "alias grace", p.33
ainda sobre aborto



No entendimento do juiz Aluizio dos Santos, "o Brasil não está preparado para descriminalizar o aborto". Ele cita como argumento para a opinião "a forte influência da religião na vida dos brasileiros".


a religião também é muito importante no méxico, mas o aborto já foi legalizado na capital federal. o que vai continuar acontecendo no brasil: quem tem dinheiro sempre vai conseguir ajuda. quem não tem, se vira em casa, sem assistência. e vai sangrar até a morte se as coisas derem errado.



trailer do filme romeno "4 months, 3 weeks and 2 days" (2007).

terça-feira, novembro 18, 2008

abortos no mato grosso do sul  

esses tempos li um livro muito interessante da margaret atwood. chama-se "the handmaid's tale" ("o conto da aia", no brasil) e trata de uma sociedade em que as mulheres não têm mais direitos e servem exclusivamente para procriar. essa sociedade, a república de gilead, está localizada geograficamente no que um dia foram os estados unidos. houve uma catástrofe ecológica seguida de um golpe de estado. os fundamentalistas religiosos tomaram o poder. as aias, que dão título ao livro, são usadas por famílias ricas para procriar. em muitos casos, o casal já está velho para ter filhos. na noite da "cerimônia", que ocorre uma vez por mês, a esposa se deita na cama com a aia entre suas pernas. o marido, então, fode* a aia, que tem que torcer para engravidar ou vai ser banida para a terra das não-mulheres (que recolhem o lixo contaminado da república de gilead). quando nasce o bebê, a aia é despachada, e será utilizada por outra família rica. abortos, em gilead, são o pior crime que se pode cometer. é ficção científica, mas atwood sabia muito bem por que estava escrevendo isso.

pensei em gilead quando li que 1.500 mulheres vão ser julgadas no mato grosso do sul por terem abortado. para assegurar daqui por diante o bom uso dos úteros e vaginas, o estado primeiro constrange: estão perguntando detalhes sobre a vida sexual dessas mulheres. mais: os prontuários médicos de quase 10 mil pacientes ficaram à disposição do público por uma semana. para terminar: é tão absurdo que estão pedindo exame de corpo e delito -- há casos em que a gravidez foi interrompida em 2002.  

leiam a matéria do estadão, escrita por simone iwasso e joão naves de oliveira.




* a cerimônia (trecho):

My red skirt is hitched up to my waist, though no higher. Below it the Commander is fucking. What he is fucking is the lower part of my body. I do not say making love, because this is not what he's doing. Copulating too would be inaccurate, because it would imply two people and only one is involved. Nor does rape cover it: nothing is going on here that I haven't signed up for.

segunda-feira, novembro 17, 2008



'Listen,' F. Jasmine said. 'What I've been trying to say is this. Doesn't it strike you as strange that I am I, and you are you? I am F. Jasmine Addams. And you are Berenice Sadie Brown. And we can look at each other, and touch each other, and stay together year in and year out in the same room. Yet always I am I, and you are you. And I can't ever be anything else but me, and you can't ever be anything else but you. Have you ever thought of that? And does it seem to you strange?


*

'This,' she said. 'I see a green tree. And to me it is green. And you would call the tree green also. And we would agree on this. But is this colour you see as green the same colour I see as green? Or say we both call a colour black. But how do we know that what you see as black is the same colour I see as black?'

Berenice said after a moment: 'Those things we just cannot prove'.


(p.136)


carson mccullers, no maravilhoso "the member of the wedding". que ela escreveu quando tinha só 23 aninhos. te fura o coração a cada página. 



sábado, novembro 15, 2008

minha mãe cometeu um erro:
me mandou pra biblioteca


jeanette winterson (autora do ótimo "oranges are not the only fruit") escreve sobre como a poesia de ts eliot lhe ajudou na adolescência. no guardian de hoje. dia 20 de novembro começa o ts eliot festival em londres.




*




foi só um sonho

sonhei que ia almoçar com um casal de amigos, mas eles não conseguiam se decidir sobre o restaurante. ela estava cada vez mais irritada com ele; ele fazia piadinhas pra amenizar a situação. no meio disso tudo eu tinha um violão e tocava "high and dry" do radiohead, mas no meu sonho eu tinha escrito "high and dry".




don't leave me high......


bom fim de semana para vocês.

sexta-feira, novembro 14, 2008



ah, não pode usar qualquer palavra...

quinta-feira, novembro 13, 2008

na frança




chegou aqui em casa a revista nioques, que está no quarto número e é publicada pela editora le mot et le reste, de marselha. participo com alguns poemas traduzidos pela nathalie quintane, que é uma poeta genial (se você ainda não a leu, saiba: tem um livro dela na praça). neste número estão hubert lucot, phillipe blaizot, cécile mainardi e ida börjel, entre outros. 

quarta-feira, novembro 12, 2008

evitando evita

"¿Por qué los yanquis aceptan al Che y escupen sobre Evita? Porque el Che es un muchacho de buena familia. Un pibe urbano. Es hombre, no es mujer. No tiene un pasado sórdido. Si cogió, es un hombre y nada más natural ni estimulante que un hombre coja. Eso lo hace un macho. Si Evita cogió, es una puta. Si cogió para trepar, peor todavía. Es una mujer. Mujer que coge, mujer puta. Era populista y no marxista. El Che tiene tras de sí Das Kapital. Evita, los folletines baratos que se leían en las provincias hacia 1930."

josé pablo feinmann, professor de filosofia argentino, escreve sobre o filme "che", de soderbergh, aqui

segunda-feira, novembro 10, 2008

coyote na primavera


rodrigo garcia lopes avisa que a coyote 18 já está nas bancas. este número traz poemas de joca reiners terron, beatriz bajo, celso borges e zhô bertolini. traz também traduções da wislawa szymborska (por regina przybycien), do jack kerouac (por rodrigo garcia lopes) e do paul éluard (por eclair de almeida). a revista é distribuída em todo o país. e dá para comprar pela internet aqui

domingo, novembro 09, 2008

um abacaxi muito agradável



um trecho do filme "wittgenstein", de derek jarman.

sexta-feira, novembro 07, 2008

e os hipopótamos foram cozidos nas gavetas...



esta colaboração entre kerouac e burroughs estava na gaveta desde 1944. como o lucien carr já esticou as canelas, acharam por bem publicar a noveleta. eu não sabia. fui avisada esta manhã por bishô, que se engasgou com sucrilhos ao ler a notícia. "por todas as maçãs de méxico!", ela disse. e ficou fazendo conta de cabeça pra ver como vai arranjar dinheiro e sustentar esse vício. "pare de comer sucrilhos", eu disse.      


a resenha do independent nos informa:

"It's not the most sophisticated crime novel, and it doesn't show either writer at his best. But it evokes a time, towards the end of the war, and a place, Manhattan, that's become sour with drunks, whores, sailors, faggots and lost souls, all wondering when the world is going to re-start. It's a fascinating snapshot from a lost era. If you're looking for the link between Hemingway's impotent post-war drifters in The Sun Also Rises, the barflies and Tralalas of Last Exit to Brooklyn and the zonked-out kids of Bret Easton Ellis's Less Than Zero, look no further."

quinta-feira, novembro 06, 2008

danlebuá avéqui chiã

One afternoon in the spring of 1871, he proposed to Marina in the Up elevator of Manhattan's first ten-floor building, was indignantly rejected at the seventh stop (Toys), came down alone and, to air his feelings, set off in a counter-Fogg direction on a triple trip round the globe, adopting, like an animated parallel, the same itinerary every time.

nabokov, em "ada or ardor". lindo, né? mas é uma pedreira. o texto integral, com milhões de referências obscuras explicadas, está aqui. confie em mim, se você decidir ler "ada", vai precisar dessas notas. e de um bom dicionário. já nas primeiras páginas, vai se deparar com palavras como: tesselated, commingles, granoblastically. os planos de ler "ada" foram cuidadosamente embalados e ficarão congelados até a data de minha aposentadoria. quando, suspeito, comprarei uma moto e viajarei pela américa. não vai dar para ler esse naba. leiam e me contem.

*

há algumas semanas contei aqui que estava lendo "o mestre e margarida". é muito divertido. encontrei o texto completo em inglês (mas esse é um livro para se ter, voltar a ler e sublinhar as partes favoritas). também tem esta página com notas muito boas. e no youtube há uma versão desse grande livro do bulgakov feita por um canal de tv russo. as legendas são em inglês. 

quarta-feira, novembro 05, 2008

eu adoro a carson mccullers 

Frankie stared up into the dark. 'You know it is still hard for me to realize that the world turns around at the rate of about a thousand miles an hour.'
'I know it,' he said.
'And to understand why it is that when you jump in the air you don't come down in Fairview or Selma or somewhere fifty miles away.'   

("The member of the wedding", p. 20)

*

'I don't know what to do. I just wish I would die.'
'Well, die then!' said Berenice.
And: 'Die', John Henry echoed in a whisper.
The world stopped.
'Go home', said Frankie to John Henry.

(p. 28)

*

'If only I knew where he has gone.'
'Quit worrying yourself about that old alley cat. I done told you he ain't coming back.'
'Charles is not alley. He is almost pure Persian.'
'Persian as I is,' Berenice would say. 'You seen the last of that old tomcat. He gone off to hunt a friend.'
'To hunt a friend?'
'Why, certainly. He roamed off to find himself a lady friend.'
'You really think so?'
'Naturally.'

(p. 40)

terça-feira, novembro 04, 2008

em espanhol

a poeta sandra santana traduziu 4 inéditos meus para a edição de novembro da revista espanhola "poesía digital". fiquei contente. muito obrigada, sandra. 

segunda-feira, novembro 03, 2008

promoção da segunda-feira
grátis rabanete


saiu nos estados unidos a correspondência completa entre a elizabeth bishop e o robert lowell, intitulada "words in air". aqui a resenha na book review do nyt. (obrigada, andrei.)

“I feel profoundly bored with all the contemporary poetry except yours, — and mine that I haven’t written yet.”

bishop para lowell

*

se ana cristina césar estivesse viva, ela teria:

a. ( ) um blog
b. ( ) um fotolog
c. ( ) um flicker
d. ( ) um twitter
e. ( ) um myspace
f. ( ) um facebook
g. ( ) todas as anteriores
h. ( ) nenhuma das anteriores
i. ( ) outro

acho que letra b. ela teria um fotolog. e os textos nunca teriam muito que ver com as fotos. vai por mim. fotolog.

*

escrever num blog pode ser sua última atividade antes de, p. ex., ir morar num mato perto de um lago. sempre me digo isso.