sábado, junho 30, 2007

um mês na argentina

a coisa mais importante que meus amigos poetas argentinos me ensinaram, curiosamente, é que a amizade deve ficar de lado quando o assunto é poesia. nao se pode traduzir alguém só porque é teu amigo. nao se pode convidar alguém para fazer uma leitura porque te parece simpático. a poesia nao deve ser usada para fazer amigos e influenciar pessoas, para isso existe dale carnegy. muito menos para comer pessoas, para isso existem os bares. meus amigos levam poesia tao a sério que me sinto bem em saber, sem que digam ostensivamente, que gostam dos meus poemas. ou nao teriam me convidado para ler, nem teriam me traduzido. ao mesmo tempo, me dao muito carinho e muito mate. por isso estou há um mês na argentina.

quinta-feira, junho 28, 2007

2107

daqui a cem anos você vai poder passear de maos dadas com sua namorada na lua










1969

quarta-feira, junho 27, 2007

ô lilith


a página "despertando a lilith", daqui de bahía blanca, tem gravaçoes de poetas argentinas e textos sobre mulheres. está muito bem-feita. viviana beker, à frente do projeto, me convidou para gravar um poema. escolhi "sereia a sério". se quiserem escutar, é só ir .

sexta-feira, junho 22, 2007

a leitura de hoje em bahía


na setlist: ana c., ledusha, bandeira, drummond e bishop.

e alguma coisa minha. a ver.

depois nao conto como foi, ok? combinado.


*


e essa história de ser do sul, como fica, quando você vai mais pro sul ainda?

quarta-feira, junho 20, 2007

césar aira



esses dias estava conversando com a lucía sobre as perguntas que nos fazem depois de publicarmos livros. uma é "por que você escreve?". nunca sei o que responder. entao oscilo entre um supostamente honesto "nao sei" e um mais otimista "escrevo para divertir". mas as duas sao respostas preguiçosas e nem sou tao divertida.

costumo ir a conferências de escritores para me iluminar, mas saio mais confusa e pensando que nao deveria ir a encontros literários. que deveria acabar com o blog, sumir do mapa e praticar agricultura de subsistência perto de uma praia paradisíaca.

mas ainda estou no jogo e tenho muito tempo livre. entao ontem fui a uma palestra do césar aira aqui em bahía blanca. césar aira é um escritor argentino que já tem mais de 30 livros (de prosa) e vai à flip este ano. pensei em escrever um email pra marilinha, ela curte o C.A., mas resolvi passar a limpo minhas anotaçoes aqui. vai que algum de vocês se interessa.

bueno, fizeram muitas perguntas, mas o césar aira deu um jeito de nao responder nenhuma. ainda assim, anotei umas coisas que ele falou sem que o solicitassem. "minha vida, como a de muitos escritores, é muito opaca, sem aventuras. passo lendo e escrevendo. as aventuras ficam no plano imaginário."

acredito que tenha muita imaginaçao, mas nao nessa história de vida opaca. isso é coisa de quem esconde o jogo. nota: sempre desconfiar dos escritores quando eles dao uma informaçao nao solicitada sobre a vida.

mas enfim, logo depois comentou que reivindica a irresponsabilidade, todas as teorias sao feitas para serem desobedecidas, e acaba dizendo coisas sobre a literatura "porque soam bem". concordo nos momentos de preguiça. e lembro que ts eliot escreveu sobre a liberdade de se contradizer em entrevistas, mas volto a lembrar da vida opaca e com muita imaginaçao, e aí me vem steve martin dizendo que se fosse mulher passaria os dias em casa brincando com seus peitos. mas nao sei por que lembrei disso agora.

outra coisa que me chamou a atençao foi: como escreve. geralmente é de manha, num café, e nao mais de uma página por dia. "é como uma válvula se fechasse, tenho que esperar até o dia seguinte para escrever." nao há uma idéia prévia, um argumento. vai escrevendo o que lhe ocorre. deixa entrar no texto o que está acontecendo à volta. por isso as novelas acabam virando boas ou más recordaçoes. mais: "quando termino uma novela, trato de esquecê-la. se repito uma cena em outra novela, é porque me esqueci mesmo."

ai, como desconfio. na verdade podia fazer uma listinha das coisas das quais discordei ou desconfiei:

- "tenho a idéia de escrever até explodir." ou: o escritor tem que seguir escrevendo até nao poder mais. escritores precisam ter a generosidade de continuar escrevendo depois de se darem conta de que começaram a escrever mal.

- "a alta cultura é um refúgio do deliberado." ou: a cultura popular nos é imposta. "para ouvir bach, você tem que ir atrás. mas ricky martin é obrigatório porque você o escuta no restaurante, na sala do dentista..." (só que em seguida ele diz que os desenhos animados bizarros o influenciaram mais que bach ou proust.)

- "nunca me interessei pelos livros, mas pelos autores. o que vale é o autor, com sua obra e sua vida." diz que gostaria que gostassem dele em bloco, com as impurezas. e que nao se pode julgar um escritor por seus livros ruins.

- "eu tive a sorte de fazer parte da última geraçao de escritores que nao iam à televisao." nos anos 60 o escritor ainda era uma figura misteriosa e nao ia aos meios de comunicaçao. "em parte porque nao havia demanda." arrá. "hoje todos os escritores e poetas malditos pagam impostos, saem de férias. pizarnik e o. lamborghini preferiram se destruir a ter de ir trabalhar num escritório." mas em seguida deixa claro que é pequeno burguês e paga impostos.

- "nao entendo por que se insiste tanto em ler. li toda a minha vida, fui feliz mas nao recomendo a ninguém. perde-se muito da vida real." para césar aira, quem insiste tanto na importância da leitura sao pessoas que nao lêem muito. os que lêem sao mais prudentes nesse aspecto. a leitura pode servir pra "melhorar o trato, deixar a gente mais fina. mas a brutalidade é mais útil para conseguirmos o que queremos."

- "um bom escritor surge a cada 40 anos num país, isso dito com um otimismo frenético. e os suplementos literários descobrem um gênio por semana."

- prêmios de literatura arranjados, como os da espanha, nao sao tao ruins. porque os escritores nao necessariamente sabem julgar uma novela. de 2000 obras inscritas, só 5 chegam aos jurados. quem faz a pré-seleçao? e depois é necessário chegar a um consenso e o consenso é medíocre.

- "nao vou ficar (na história da literatura argentina). vou ser uma nota de rodapé. houve um escritor freak..."




ah sim: quando perguntado sobre o que gostava de literatura latino-americana, disse que preferia a BRASILEIRA. mas citou só machado de assis e euclides da cunha (este em oposiçao a sarmiento, que teria menos sensibilidade literária). a segunda que mais lhe apraz é a mexicana. e encerro com um comentário que me fez sorrir: "se você chega a falar mal de rulfo no méxico, te expulsam ou te assassinam com um taco envenenado. (...) por que ter vacas sagradas, indiscutíveis, quando o melhor é ter discutíveis, opinar?"
pra quem estiver em bahía blanca

terça-feira, junho 19, 2007

CORNIFICIO, TUO CATULLO BAIBAI


(FRAG)


meter bala na cabeça era
déjà-vu para o otorrino
jujuba entalada no ouvido

domingo, junho 17, 2007



com luc em punta alta

sexta-feira, junho 15, 2007

buenos aires dez horas da manhã
sensação térmica um grau
ouço ramones na rádio kabul
i could do with some rocanrol

bom dia
bom dia
bom dia senhora rebecca
bom dia senhor peladito

preciso contar de novo
a história da cidade
onde nasci
ou vocês já conseguem rir
sem mim

bom dia
bom dia
bom dia coração inventado
bom dia terminal retiro

bom dia e adeus








hola bahía blanca

quinta-feira, junho 14, 2007

trilha sonora





if i told you things i did before told you how i used to be would you go along with someone like me if you knew my story word for word handled all of my history would you go along with someone like me i did before and had my share it didn't lead nowhere i would go along with someone like you it doesn't matter what you did who you were hanging with we could stick around and see this night through and we don't care about the young folks talkin' bout the young style and we don't care about the old folks talkin' 'bout the old style too and we don't care about our own folks talkin' 'bout our own stuff all we care about is talking talking only me and you

peter, bjorn and john




uma noite em março em sao paulo a vizi me mostrou essa música
estou cantando até agora

quarta-feira, junho 13, 2007

eu sou chinesa


chinese is nice
and chinese can stop you
from doing all the things in life
you´d like to




valeu, sista. melhor que isso só a phoebe cantando "hold me closer, tony danza".

terça-feira, junho 12, 2007

o martín fierro em ordem alfabética

trechos desse incrível livro de pablo katchadjian podem ser lidos nesta página.


um pedacinho do Y:


Yo no quise disparar,
Yo no sé por qué el gobierno
Yo no sé qué tantos meses
Yo no soy cantor letrao,
Yo no tengo en el amor
Yo no tenía ni camisa
Yo nunca me he de entregar
yo paso por gaucho malo
Yo primero sembré trigo
Yo quise darle una soba
Yo quise hacerles saber
yo ruedo sobre la tierra
yo sé hacerme el chancho rengo
Yo sé que allá los caciques
yo seguiré mi destino,
yo seré cruel con los crueles:
Yo soy toro en mi rodeo
yo soy un gaucho redondo
Yo también dejé las rayas...
yo también quiero cantar.

segunda-feira, junho 11, 2007

ainda na argentina

este fim de semana o festival salida al mar continuou em rosario. lemos no parque españa, que fica em frente ao rio paraná, que é muito lindo. pelas calles, pichaçoes que remetiam a letras do fito paez. tiramos fotos. talvez depois coloque algumas aqui.

o tempo correndo, a gente correndo, a mochila cada vez mais abarrotada de livros. e alguns cds. como o cliques modernos, segundo disco solo do charly garcía. acabo de llegar, no soy un extraño.

tudo apaixonante. tudo pra ser escrito. mas me parece bizarro estar em buenos aires e ficar na frente de um computador.



e um senhor veio me dizer que a poesia dos novos é apenas uma transcriçao da realidade. será?


paredes palta e chili peppers


com os pássaros que partilham
desta vista solitária

sei que as melhores festas
sao aquelas a que nao fui

e continuo nao indo
e continuo escrevendo

a poesia
é a vingança dos nerds

quarta-feira, junho 06, 2007

a vingança da cama

a vingança da cama é nos deixar mais tempo que o necessário sobre ela. como uns coelhinhos na panela, com as patas de fora. a cama é cozinheira. a cama nem tem o trabalho de mexer a panela.

domingo, junho 03, 2007

uau

o festival esta quase no fim e eu nao escrevi nada a respeito. e nao vai ser neste teclado baleado que vou conseguir. mas preciso dizer algumas coisas. marilia garcia fez duas leituras lindas. a elisa andrade buzzo mandou muito bem e ainda tocou umas musicas da trilha sonora da amelie poulain no piano da igreja dos marinheiros finlandeses. a leitura de ontem foi la.


pablo katchadjian, um poeta daqui de buenos aires, reescreveu o martín fierro. ele reordenou todos os versos por ordem alfabetica. nao mudou mais nada, so pegou todos os versos e reagrupou. ficou GENIAL.


amanha vou ler.


agora vou ali fazer uma sopa de tomates.