quinta-feira, maio 31, 2007

em baires

depois de perambular pelas ruas de montevidéu -- e achar o título do meu próximo livro colado num poste -- fui até colonia do sacramento e tomei um ferry pra buenos aires. cinqüenta minutos do plata neobarroso, cheguei a puerto madero. o cristian de nápoli, organizador do festival, me esperava lá. estava cansada e gripada, jururu, mas foi só sair do porto que vi o luna park e a casa rosada e foi impossível nao sorrir. eu amo esta cidade.



ontem saiu uma reportagem sobre o festival no página 12. "dentro de diez o quince años se verá claramente que los mejores textos de esta época están en la poesía", disse o cristian.



ah: vou ter a honra de encerrar o festival, ao lado da irene gruss e da juana bignozzi.

terça-feira, maio 29, 2007

rica e chique


estamos na revista eletrônica hilda.

com tradução e texto de ricardo domeneck.


*


estou partindo hoje pra buenos aires. vou participar do festival de poesia salida al mar. escreverei de lá.

segunda-feira, maio 28, 2007



com mil guitarras, batman, é a patti smith cantando "people have the power"! será que isso vai salvar a nossa segunda-feira? sei não, mas consegui colocar um monte de "s" numa frase só. ssssss! sibilinamente celebrando o segundo dia da semana.

People have the power
People have the power

The power to dream / to rule
to wrestle the world from fools
it's decreed the people rule
it's decreed the people rule


right on. viva patti smith.
e um beijo pro odyr.

domingo, maio 27, 2007

engraçado. "chore" em inglês é "tarefa". em português, imperativo do verbo chorar. mais engraçado ainda: "gift" em inglês é "presente", em alemão é "veneno", e em dinamarquês, "casado".


intervalo musical:
três ratinhos cantando teresinha de jesus


notícias. a poesia foi por água abaixo mas uma baratinha me contou que ela está muito empenhada em subir até o ralo.

sábado, maio 26, 2007

às vezes você é muito velha pra dançar um funk
muito nova pra ficar em casa tricotando um câncer
é muito velha pra se declarar numa carta
muito nova pra ficar pensando tanto

eu ando atropelando

convido uns velhos pra mascar chicletes
no paraíso todos voltam a ter dentes
e reúno a mocidade pra tomar um chá
fingindo que ainda não vi o suficiente

sexta-feira, maio 25, 2007

júbilo possível


A ruptura de Angélica Freitas consiste em criar uma tradição própria no tocante ao gênero e à orientação sexual. As observações desta poesia são muito finas: em poema a respeito do homem-aranha, uma criança vê uma mulher no alto de um edifício: "mamãe, mamãe/ é a mulher/-aranha?/ não seja tola/ ela está/ limpando/ janelas" (p. 47) Dessa forma, a menina aprende os papéis reservados ao seu gênero: não o heróico, mas o doméstico - o exterior dos vidros não foge à domesticidade.

Dois dos melhores poemas do livro encenam as diferenças de gênero: sashimi e sereia a sério: a "ocupação tão masculina" de sushiman, de "retalhar/ melhor o peixe" (p. 22) e, do outro lado, a sereia que "pisa em facas quando usa os pés" (p 23): "melhor seria um final/ em que voltasse ao rabo original/ e jamais se depilasse// em vez do elefante dançando no cérebro/ quando ela encontra o príncipe/ e dos 36 dedos/ que brotam quando ela estende a mão" (p. 24). Cada um está do lado oposto da faca. A sereia, por sinal, é revisitada em o que é um baibai? (p. 41) e vira um arquétipo da mulher em pequenos retratos até a Lorelei com celular fazendo bipe sob as águas do Reno.

Chegamos aos poemas de mulher para mulher, campo ainda magro na poesia brasileira: a relação entre Elizabeth Bishop e Lota Macedo Soares ganha um poema elegíaco (liz & lota, p. 29). Destaca-se o antológico ciclo da página 32 a 37, a que o poema da 38 serve de apêndice: "gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertrude stein [...]/ gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar atrás da orelha é todo seu da qui pra cá sou eu o patinho de borracha é meu [...]" (na banheira com getrude stein, p. 32); no epílogo, com ninguém menos do que Stein, Alice B. Toklas, Josephine Baker e Djuna Barnes, chega Ezra Pound: "lésbicas são um desperdício ele disse/ você já ouviu falar em mussolini?" (p. 37) - a relação entre homofobia e fascismo é desnudada.

Este mundo está muito distante da tragédia por trás de cortinas da poesia de Ana Cristina Cesar - que gerou poemas tão poderosos como 21 de fevereiro de Cenas de Abril. Em Angélica Freitas, o júbilo é possível e gera uma poética própria: o poema de amor siobahn 4 apresenta uma namorada celta em quatro partes - uma posição amorosa em poesia: "às vezes ela ficava/ de quatro, o símbolo/ celta nas costas" (p. 50) - até a elegia da quinta parte: "será que também pergunta/ o que aconteceu// com as boas garotas/ de sodoma, essas que/ sempre// se beijavam nas escadas/ sumiam nas bibliotecas/ preferiam virar sal?" (p. 51).


Pádua Fernandes, aqui.
não quero mais saber de poesia que não dê pra cantar

quinta-feira, maio 24, 2007

back by popular demand

(...)

vamos revirar o lixo
da madrugada

quem sabe a gente acha
um colar de prosas preciosas
para mim é lucro
um poema a mais na calçada

insisto em que você saiba
há bastante literatura
em não fazer nada

(...)

vamos enterrar os livros
entre duas capas

quarta-feira, maio 23, 2007

from Fah
6:31 am (12 hours ago)
to Angelica Freitas
date May 23, 2007 6:31 AM

subject
as letrinha!

Oi, Angie! Depois que eu te deixei em casa fui dar mais uma pedalada até a zona do porto. Sabe como é, tem gente estranha dominando a minha área, tenho que dar uma patrulhada. Só encontrei o boteco do serginho e o João Gilberto na ativa. Como previsto, sem contar aquela ponta de esperança, não encontrei ninguém conhecido. Só uma colega que tava indo caçar no João com uma amiga bonitinha. Peguei a magrela e me vim pra casa. Tinha deixado ela no estacionamento do Notredame, o prédio que o _____ (aquele amigo que foi pro rio) morava, pois conheço os porteiros dali. O ap dele era mesmo uma ótima base ali na zona...



fah, te ralasse. publiquei.



ontem conheci uma garota incrível (o fah já conhecia) quando estávamos tomando quentão no pássaro azul. ela me pediu um cigarro. "marlboro, bah! quanto tempo não fumo marlboro!" e aí foi fumando e dando umas bicadas no nosso quentão, foi fumando até dizer que ia fumar as letrinhas pra ficar mais inteligente. deixamos a guria no ponto de ônibus às 00h13 e fomos pra minha casa cantarolando umas velhas cançoennnns do júpiter maçã.

hoje fui na casa dela. ela me enrolou um cigarro com fumo universal e me mostrou uma coleção de fitas do jethro tull e outras coisas de róque progressivo. ela tem 20 anos e já foi casada com um cara por 3 anos. está escrevendo um romance chamado "a noite é dos vampiros".

deixei os marlboros da amizade com o fah, mas levei a caixa de fósforos pra fazer café hoje de manhã. acho que eu não fumo.



sista, só faltava tu.

terça-feira, maio 22, 2007

ele

lançou um olhar amoroso sobre todas as coisas. e todas as coisas lançaram um "aiiii, nãããão" sobre ele.



nós, os poetas

eu, tu e ele?
nós, vós? e eles?
não, eles não.



e aí?

já descobriram que foram vocês?

segunda-feira, maio 21, 2007

eram os deuses astronautas?
eram deuses os astronautas?
meu deus quem eram os astronautas?



a morte, por minhas avós mortas

- ...
from Ricardo Domeneck
hide details 12:15 pm (5 hours ago)
to Angelica Freitas
date May 21, 2007 12:15 PM
subject Jabès, Bianco, Hilda y otras cositas más
mailed-by gmail.com

Querida Dona Freitas,

me emocionei com seu post porque também estou
lendo Edmond Jabès no momento, o "Livre des Questions"
e passando mal. Literalmente passando mal.
Hilda Hilst me dá febre, mas Jabès tem tido efeitos
catastróficos sobre minha cachola.


A GENTE AGRADECE, RIC.
RIC, TU é O MEU frank O'HARA?
eu TE amO
ontem eu tava no café lendo ("o pequeno livro da subversão fora de suspeita", do edmond jabès), os dois cotovelos apoiados na mesa, a cabeça apoiada nas mãos, o livro embaixo da cabeça, o café fumegando ao lado, E A MESA COMEÇOU A RESPIRAR.

daí eu parei tudo pra anotar.

e aí TUDO QUERIA SER ANOTADO.

como o diálogo dos dois velhinhos sentados na minha frente (um deles de bengala, o que me enternece, se a bengala nunca for usada contra mim). passou um carro antigo na rua (robusto, preto, do tempo em que os carros pareciam esses bichos da luz e era ok). os dois olham, se emocionam. "coisa linda", disse um. e o da bengala: "tu gosta de carros antigos, é?"

ai. o que fazer além de anotar?

depois um cara começou a esbravejar contra a administração municipal. "criaram um monstro em pelotas! concordas comigo?" e um velho sozinho numa mesa, descabelado que nem um pintassilgo no ninho (o ninho era uma jaqueta bege provavelmente fabricada nos 80 no uruguai), fazia "shhhhhhhhh shhhhhhhh!".

a minha impressão é que sempre tem um velho descabelado fazendo shhhhh nesta cidade. mas eu não julgo, só anoto.

sexta-feira, maio 18, 2007

em resumo: não conte pra ninguém.

quarta-feira, maio 16, 2007


eu vou sempre me lavar chorando no fim de "as noites de cabiria"? parece que sim. ah, giulietta masina.

segunda-feira, maio 14, 2007

ricardo me dedilha uma lira eletrônica desde berlim
fabiano me dedica um poema sensacional
marcelo me fuma um cigarro na sacada da fabrício pilar
eu amo meus rapazes
meus rapazes são sensacionais

&
gosto quando chega carta/ adivinhar a letra no envelope/ antes de ver o remetente/ não há leitura mais atenta/ que a de uma carta/ se chega carta do ricardo/ dobro os joelhos/ e leio na escada mesmo/ e se chega uma do marcelo/ faço um café primeiro/ e quando não chega carta/ penso que o mundo não anda escrevendo/ e que é um sinal dos tempos/ esse não saber usar as mãos/ mas você não pode assinar o nome num computador/ e o mundo perde sem saber sua caligrafia

quinta-feira, maio 10, 2007

mais de mil palhaços no salão
mas eu não temo não
eu tenho coragem

mais de mil coragens no salão
mas eu não temo não
eu tenho palhaços
shabang! pop! whiiiiiiiiiiiiiiiz!

meus poemas estão virando histórias em quadrinhos. a culpa é do odyr. entrem lá no blog dele e vejam a dentadura perfeita ganhar vida. nhac nhac. hoje é dia de cantar "comic strip" do gainsbourg, parece. gracias, odyr. compareça à terrinha e te pagarei em patrícias (as cervejas, as cervejas).

terça-feira, maio 08, 2007

i tried to be like grace kelly
but all her looks were too sad
so i tried a little freddie
i've gone identity mad!

mika - grace kelly


i tried to be like ana cristina
but all her looks were too sad
so i tried a little adília
i've gone identity mad!


pop? pop? sou uma poeta pop? melhor ser pop que popô. que postiça. melhor que poetisa poste. um dazibao em fuga é melhor. mais informativo. pop é o barulho que faz a bolha de sabão quando estoura. pop. pop goes the weasel.


você ainda quer tocar no rádio?
ainda guarda na gaveta seus escritos?
e aquela camiseta dos smiths com naftalina
porque você já tem 35?


I experience pleasure when I find myself in front of something that is the absolute truth, not because it resembles life, but because it's true as an image for itself, as a gesture. And therefore vital. It's the vitality that makes me appreciate and feel that the action succeeded. I think the expression of an artist's work finds consensus when, whoever enjoys it feels as if they're receiving a charge of energy, like a growing plant does, of something pulsing, mysterious, vibrant with life.

federico fellini


catchiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiin! WE HAVE A WINNER!!


domingo, maio 06, 2007

reprise da entrevista

é hoje às 13 horas. mas vocês podem ver o vídeo no site do programa entrelinhas. muita gente escreveu comentando a entrevista (e vou responder a todos) e, que engraçado, mencionando a minha indústria fictícia de laticínios. legal. tem gente bem-humorada por aí. só me resta mandar-lhes um beijo e um queijo. e bom domingo.