sábado, março 31, 2007

The Emperor of Ice-Cream

(Wallace Stevens)

Call the roller of big cigars,
The muscular one, and bid him whip
In kitchen cups concupiscent curds.
Let the wenches dawdle in such dress
As they are used to wear, and let the boys
Bring flowers in last month's newspapers.
Let be be finale of seem.
The only emperor is the emperor of ice-cream.

Take from the dresser of deal,
Lacking the three glass knobs, that sheet
On which she embroidered fantails once
And spread it so as to cover her face.
If her horny feet protrude, they come
To show how cold she is, and dumb.
Let the lamp affix its beam.
The only emperor is the emperor of ice-cream.

*

elizabeth bishop dizia que se você soubesse de cor esse poema, cada casquinha seria uma experiência. retomei a leitura das cartas da bishop. não creio que haja leitura melhor pra esses dias. e.b., um modelo de contenção.

domingo, março 25, 2007

My Heart

Frank O'Hara


I'm not going to cry all the time
nor shall I laugh all the time,
I don't prefer one "strain" to another.
I'd have the immediacy of a bad movie,
not just a sleeper, but also the big,
overproduced first-run kind. I want to be
at least as alive as the vulgar. And if
some aficionado of my mess says "That's
not like Frank!", all to the good! I
don't wear brown and grey suits all the time,
do I? No. I wear workshirts to the opera,
often. I want my feet to be bare,
I want my face to be shaven, and my heart--
you can't plan on the heart, but
the better part of it, my poetry, is open.

quinta-feira, março 22, 2007

neugebauer

a resposta gaúcha
pro sonho de valsa
é o amor carioca

- assamambaya bishô,
em "poemas para o entregador de pizza"


estava relendo esse impressionante volume de poemas da gaúcha gaúcha assamambaya bishô quando um amigo me mandou um telex para perguntar se já tinha ouvido falar do "amores expressos", projeto que levará 16 autores brasileiros para o exterior. eles passarão um mês fora e deverão escrever, na volta, uma história de amor ambientada na cidade onde estiveram.

lembrei da última vez que vi assamambaya, ela estava sentada num pires (técnica de meditação que aprendeu durante abdução no hermenegildo) e me dizia: "as pessoas têm problemas com o amor". e depois suspirou e acrescentou: "e com viagens ao exterior".

brasileiros gostam de viajar. eu gosto. mas aqui viajar é símbolo de finura, de gente enricada, e de outras gracinhas mutantes que poderia inventar nas próximas linhas. as pessoas têm invejinha de quem vai. por isso, assamambaya sempre me deu 300 gramas de sal grosso, embrulhadas em rico sachê, antes de dizer baibai.

quando estou me preparando para uma viagem, prefiro não contar pra muita gente. não é que acredite em olho gordo, mas vai saber. minha mãe me ensinou a não alardear projetos. enfim, me ensinou a não alardear.

obrigada, mãe.

continuando. acho que muita gente reclama desse projeto porque, bueno, não foi incluída nele. porque nunca vai conseguir pisar no cairo ou em são petersburgo se não for num projeto desses. também tem muita gente neste país que não sabe escrever projeto de captação de recursos. querem dinheiro? ter um bom projeto e se mexer é um começo.

mas estou aqui para dizer que é bem fácil viajar. basta pegar um ônibus que te deixe na estrada e estender o polegar. querem material pra escrever? taí a dica. querem viajar de graça? taí a dica. "i don't know what the fuss is about", diria assamambaya.


ps: ah, sim, também tem o lance da cobrança por qualidade, se os escritores vão conseguir produzir obras-primas porque viajaram pro exterior e ganharam assombrosos 10 mil reais (euros?). se vai dar certo, eu não sei. ocioso fazer prognósticos. tenho cara de bookie? acho arriscado escrever um romance por encomenda. e um mês numa cidade é pouco para entendê-la. mas se o autor aceitou a proposta, deve saber o que está fazendo.


quarta-feira, março 21, 2007

como estão as coisas por aí?

8:36 AM fabrimarcon: pelotas está bem, temos agora as primeiras manhãs frias. início daquela fase em que tu te acordas com frio, sais de casa cheia de roupa e ao meio dia não aguentas de calor.

terça-feira, março 20, 2007

RESPIRA!

o blogger tinha bloqueado meu blog, e o rato roeu a roupa do rei de roma, e fiquei assim, sem poder postar nos últimos dias.

portanto, faltando 2 horas para o eveinto, convoco-vos:

das 19h30 até o úrtimo criente

na palavraria (vasco c/ fernandes vieira, bom fim)

lançamento do "rilke shake" + revista ficções


apareçam lá!

sexta-feira, março 16, 2007

nadar, andar de bicicleta e estudar

Davison, Miss Emily Wilding, B.A. Honours [London], Oxford Final Honour School in English Language and Literature [Class 1], &c., Society: W.S.P.U.; born at Blackheath; daughter of Charles Edward and Margaret Davison; joined W.S.P.U. November, 1906. Imprisoned: [1] March 30, 1909, one month for going on deputation: [2] July 30, 1909, two months' for obstruction at Limehouse, released after five and a half day's hunger strike; [3] September 4, 1909, stone-throwing at White City, Manchester, two months, but released after two and a half days' hunger strike; [4] October 20, 1909, stone-throwing at Radcliffe, one month's hard labour on each count, hunger struck, forcibly fed, hosepipe incident in Strangeways Prison, and released at end of eight days; [5] November 19,1910, broke a window inside the House of Commons; one month, hunger struck, forcibly fed, and released after eight days; [6] December 14, 1911, arrested for setting fire to pillar-boxes in City of Westminster, Holloway, remand one week; and [7] January 10, 1912, for above, sentenced at Old Bailey to six months' imprisonment; hunger struck twice with others, and twice forcibly fed; released 10 days before sentence finished on account of injuries sustained in protest made against forcible feeding; [8] November 30, 1912, sentenced to 10 days imprisonment for assaulting a Baptist minister by mistake for Mr. Lloyd George at Aberdeen Station; hunger struck, and released at end of four days' fast; was attested on great deputation, together with Mrs. Pankhurst, June 29, 1901; January 19, 1910, won case against visiting Magistrates at Strangeways Prison, Manchester; has three times hidden in House of Commons - April, 1910, in hot-air shaft; April, 1911, in crypt; and also in June, 1911; marches in which took part - March, 1907; July, 1910; June, 1911; and July, 1911. Publications: Articles in Votes for Women and other papers. Recreations: Swimming, cycling, and studying. Address: Longhorsley S.O. Northumberland
o apartamento mínimo, as redondezas
e o livro quase dez anos depois

entre 1998-2000, morei na rua fernandes vieira, no bom fim. numa quitinete disfarçada de apartamento de um quarto, ao lado de um café bem freqüentado. várias vezes me atrapalhei com as sacolas do zaffari ao ver o LFV tomando um expresso na entrada do prédio. nunca fui falar com ele, fiel ao código samurai da não-tietagem.

aqueles anos foram meus melhores na cidade. estava escrevendo muito, morava sozinha, tinha desistido da idéia de ser jornalista, tinha desistido da idéia de ser qualquer coisa.

e tudo era urgente. meu café da manhã era uma coca-cola no caminho pra faculdade. se trabalhasse com entrega de encomendas por bicicleta, seria a melhor. mas ia todos os dias pra fabico, o que me anestesiava. afundava o nariz nos livros.

penso nesses dois anos com carinho. minha idéia de café da manhã é outra, mas muita coisa se definiu naquela época.

pois bem: quase dez anos depois, volto a porto alegre pra lançar um livro. e vai ser na palavraria, na vasco da gama quase esquina com a fernandes. quando circulava pela vasco e arredores, nunca poderia prever.

melhor assim.

então: terça-feira, dia 20, às 19h30, na palavraria, se quiserem me ver bem sentimental e encabulada. no mesmo dia, mesma hora, mesmo lugar, lançamento da revista ficções, que traz um conto da carol bensimon.

a gente sabe que tem um mega-ultra-hiper congresso (show?) de filosofia na cidade. chiquésimo, ok, mas não é páreo para o lançamento conjunto de duas sobreviventes da fabico!

depois está todo mundo convidado pra tomar coca-cola.

terça-feira, março 13, 2007










quarta-feira, março 07, 2007

o passeio da boa vista


"meninas de potosí", renata freitas, 2005


minha irmã criou um blog para fotógrafos amadores. funciona como o "escolhas afectivas", de poesia. os convidados indicam três fotógrafos, e assim vai. passem lá, indiquem para os amigos. o endereço é:

www.opasseiodaboavista.blogspot.com.
o poeta é um outsider


há dois anos marcelo noah me contava que precisou ir ao hospital e, quando lhe perguntaram profissão, disse: "poeta". naquela época eu já estava pensando em publicar um livro (na verdade, pensava nisso desde 1983), escrevia poesia com freqüência, mas não dizia que era poeta. quando noah me contou, achei engraçado. corajoso.

esses dias, quando escrevi o poema pra folha, me perguntaram se podiam me identificar como escritora. "pode dizer que sou poeta, mesmo." saiu assim, no mais. nenhum resquício de orgulho ou de amendoim.

mas é estranho se declarar poeta. uma frase que li na internet há uns anos: "poeta a gente trata com tarja preta". me fez rir muito, mas não foi de nervosa. porque na hora concordei. menos no meu caso, eu não tomo remédio.

e outro dia, uma amiga, também poeta, me disse que é impossível namorar poetas. outro mito, eu acho. poeta que usa seus versos pra justificar pouco caso, sumiço... é tão admirável quanto o jornalista que dá carteiraço pra entrar de graça no cinema.

uma característica de poetas, ou pelo menos os poetas de quem gosto muito, é que são outsiders. não fazem questão de pertencer a um grupo, de continuar uma tradição, de agradar os pares. não conseguem se preocupar com isso.

me interessa o trabalho de gente como a lucía bianco, que começou a escrever na escola de artes, e não se sente confortável com o termo "poeta". ou o da fabiana faleiros, que é artista visual, mas escreve poesia.

porque o trabalho das duas tem um frescor que não se encontra em quem vive apenas de e pra poesia.

terça-feira, março 06, 2007

poeta beduína com vista pro mar

fala sobre suas próximas andanças pela américa do sul e, se saírem as passagens, pela europa, muito breve e até lá, no podcast do programa prefácil. reparem na voz rouca e sexy, educada nos melhores cafés pelotinos, onde ainda se escuta "o que que era pra ti, mimosa?" e se ouve "mereces" quando se diz "obrigada". pra mim um sanduíche de chester com uma taça de café. puro. obrigada. mereces. a poeta beduína estará se pronunciando logo após o zeca camargo.

outrossim, a poeta beduína informa que já está fazendo a mochila para ir pro rio. dois livros do nicanor parra, um caderno de anotações, uma oferenda para uma poeta nativa em forma de livro encontrado no sebo do messias, uma camiseta dos ramones e 1 (um) saquinho de sementes de abóbora. objetivo da missão: acordar os cariocas antes das 10h no sábado.

seu qg será em copa.
hoje

domingo, março 04, 2007

curiósidade

hoje tem poema meu na revista da folha, chama-se "praia simples". é um especial pro dia internacional da mulher. escrevi a partir de foto praiana do cristiano mascaro. "praia simples" é um dos cantos do curió, pássaro da região da praia grande, no sul do estado de são paulo. está longe de ser o canto mais celebrado: o curió costuma sair-se melhor com o "praia grande clássico" e o "paracambi clássico" (são dez modalidades). segundo a confederação brasileira dos criadores de pássaros nativos, no "praia simples" o curió é um repetidor, deve emitir o mínimo de notas "qüim qüim" e de batida de praia ("tuá"). se enveredar por um "praia clássico" no meio da cantoria, ponto pra ele -- sim, existem competições de canto de curió. há quem cogite inscrever um emplumado nascido pro "praia clássico" na categoria "praia simples", de olho no troféu. a confederação avisa: o bichinho será desclassificado se emitir as notas "uil uil". então, minha gente, tudo isso rolando no universo dos curiós. leiam a folha e bom domingo.

sábado, março 03, 2007



Lançamento


Revista Inimigo rumor 19
Revista Ficções 16

a cadela sem Logos, Ricardo Domeneck
Rilke shake, Angélica Freitas
20 poemas para seu walkman, Marília Garcia

Atos de repetição, Valeska de Aguirre
Poemas do front civil, Ariosto Teixeira


Rio de Janeiro:
Sábado, 10 de março, às 10h
Livraria Berinjela
Av. Rio Branco, 185 – Subsolo – Loja 10
Tel (21) 2215-3528


São Paulo:
Segunda-feira, 12 de março, às 20h
Bar Balcão
R. Dr. Melo Alves, 150
Tel (11) 3063-6091



*


leia o texto de apresentação de carlito azevedo para os três lançamentos da coleção ás de colete
marlene em weimar


quando novinha marlene dietrich viveu em weimar
estudou violino perto do elephant
o hotel favorito de thomas mann
que escreveu lotte in weimar, outra história

marlene freqüentava o café residenz
resi para os íntimos, ia com amigas
dizem que empenhava o relógio
para pagar a conta

uma garota precisa comer

fui tomar chocolate no resi
pedi também um conhaque
fazia frio lá fora
e eu me sentia só

uma garota precisa empurrar um piano pra fora do bar

um dia vou me levar pra passear
de novo em weimar
vou pagar a conta com o relógio

vou cantar ich bin von kopf bis fuss
auf liebe eingestellt
na escada encaracolada da bauhaus

e o piano vai ficar onde está.

sexta-feira, março 02, 2007

o gato se foi

ruído no pátio:
é o gato, que voltou pelo muro?
não, é uma ciruela
que caiu de madura
o cachorro dorme
nalgum canto da casa


(camargo, bolívia, 14/12/2006)


ciruela: ameixa, em espanhol. tinha uma ameixeira no pátio. e o gato se foi mesmo, parece que voltou um dia, meio assustado. e foi embora de novo.