quinta-feira, janeiro 25, 2007

BISHÔ FATURA SEIS ROSCAS EM FECCAPEL

por Enfiteuse Assunção de Mello e Babo*
Especial para o Diário dos Nervos

O novo filme experimental de Assamambaya Bishô, O Ano que vem em Kagoshima, foi o trabalho mais comentado no Festival de Cinema do CEFET e do Instituto de Educação “Assis Brasil” deste ano, abocanhando seis roscas de ouro e um potenciômetro de prata de melhor atriz para Mika Gotoda. A história de um encanador viciado em apostas que se envolve com a Yakuza de Kyûshû causou um frisson no júri do festival, que teve de ir em casa no meio da projeção buscar um casaquinho. O roteiro, de autoria da própria Assamambaya, é inspirado num guardanapo sujo que Natalie Sarraute usou para anotar o telefone de um pneumologista, quando fumava mata-ratos no Café les Deux Magots nos anos cinqüenta, e que viria a ser a base de seu Fragmentos de um Kleenex Ranhoso, de 1961. Falamos com a cineasta numa sexta-feira ensolarada em Porto Alegre, durante uma sessão de fotos na Tumelero do centro.


Enfiteuse: Como surgiu a idéia de fazer um longa no Japão?
Assamambaya
: A gente já tava filmando no Barro Duro, mas o menino que cuidava da fotografia ganhou uma bolsa para estudar edificações na Escola Técnica de Sakurajima. Daí, como o equipamento de filmagem era todo dele, mesmo, a gente achou que o filme não ia sair, mas eu consegui convencê-lo a continuar rodando as cenas que eu ia mandando pra ele por escrepes do orkut.

Enfiteuse: Esse distanciamento acabou enriquecendo a discussão sobre a alteridade do filme...
Assamambaya
: O distanciamento não sei, mas o fato de que da metade em diante mudam os atores, as locações, a língua falada, e a história do filme contribuiu para o clima de angústia existencial do espectador, que era algo que eu queria obter no primeiro tratamento do roteiro, mas que adquiriu novas dimensões no momento de filmar. Eu sou muito assim no set, deixo as idéias fluírem, o clima da locação interferir no resultado final... sou mais berguimaniana do que cubriquiana, acho que o momento se constrói no instante.

Enfiteuse: Esse dado circunstancial daria conta do leitmotiv das instalações hidráulicas, que é recorrente na história...
Assamambaya
: Acho que a inclusão desses episódios no filme ajuda a discutir a questão do cinema, o que é o cinema em um país do terceiro mundo, essa coisa visceral, intimista, desesperada e sem orçamento para o catering. Tem uma coisa também do momento que eu estava vivendo, logo depois das festas de fim de ano, em que eu tinha comido muita ameixa-passa e a descarga emperrou bem nessa época.

Enfiteuse: Como foi filmar a seqüência das aranhas?
Assamambaya
: Eu sempre quis trabalhar com rinhas de galo, acho que é uma metáfora pertinente da alienação em um mundo anômico e pós-industrial, mas parece que em Kagoshima a coisa mais próxima que há são essas tais aranhas cabeludas. Acho que o resultado final ficou interessante, porque a gente conseguiu discutir essa questão do espaço enquanto lugar, e do objeto enquanto sujeito, essa coisa que o Foucault já falava na História do Butantã, que a aranha é um construto, um reflexo dos interstícios epistemológicos da racionalidade iluminista ocidental, da ciência masculina, obcecada com o outro-mulher, o outro-rachadura, o outro-fenda, o outro-aracnídeo.

Enfiteuse: Fale-nos um pouco de seu novo projeto, Sem Título II...
Assamambaya
: Já começamos a filmar. Agora falta achar patrocinadores, um elenco e um roteiro.


* Enfiteuse Assunção de Mello e Babo viaja a convite da Expresso Embaixador e Geléias Ritter.

terça-feira, janeiro 23, 2007

maggie and milly and molly and may

maggie and milly and molly and may
went down to the beach (to play one day)
and maggie discovered a shell that sang so sweetly
she couldn't remember her troubles,
and milly befriended a stranded star
whose rays five languid fingers were;
and molly was chased by a horrible thing
which raced sideways while blowing bubbles:
and may came home with a smooth round stone
as small as a world and as large as alone
for whatever we lose (like a you or a me)
it's always ourselves we find in the sea

e.e. cummings

quinta-feira, janeiro 18, 2007

ontem

juntar o maior número de amigos queridos e nem era meu aniversário? só a cada dez anos. culpa minha, tô sempre indo embora. fico pensando em como seria não partir. mas partir? não, é diferente, eu saio de fininho. ou não. eu vou embora. como hoje de noite vou embora. de novo.

e as pessoas me perguntam: tu tá morando onde? e eu sei, por acaso? minha mochila é uma flor roxa que nasce no coração da trouxa. acrescente água e ai ais.


*


manuscrito encontrado em pára-choque
amassado

e eu fiquei assim pensando
quando vi você saindo
menos mal que tem cerveja
pra que me vejam sorrindo

quarta-feira, janeiro 17, 2007

dependendo do ângulo
por que se olha
o poste de luz cutuca a lua
ou a degola
fios tão prontos pra conduzir
e pra cortar

ela que anda lendo
poesia japonesa
reprova

falta de sutileza

você pede desculpa a ela
pede desculpa ao poste

depois fecha o vidro do carro
a luz explodindo ao lado

sexta-feira, janeiro 12, 2007

dia 17/01
porto alegre

Rua João Alfredo nº 533 - Cidade Baixa

terça-feira, janeiro 09, 2007


Não, não entra, colherzinha,
lá dentro esperam prender-te
pela cintura e para sempre.


No, no pases cucharita,
adentro esperan atraparte
por la cintura y para siempre.


*


Para comer
olhando o mar
imaginando
ver cair em cataratas
o Figo Açu.



Para comerse
mirando el mar
imaginando
ver caer a cataratas
el Higo Azú.




Lucía Bianco,
"Etiquetas de Doces"
,

amanhã no Minifúndio

a partir das 20 horas


domingo, janeiro 07, 2007

pelotas on fire!

quarta-feira, dia 10, às 20 horas, ocorrerá mais uma edição do café com poesia no minifúndio, estabelecimento situado na frente da faculdade de direito da purpurínica pelotas. lucía bianco (diretamente da argentina) e angélica freitas (diretamente do centro), duas poetas de alta periculosidade, estarão no recinto para incitar a população a comer mais doces. depois do evento, os cidadãos de bem da cidade pelotuda deverão lavrar BOhemias ou outras cervejas de sua preferência.

apareçam!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

feliz folha em branco!