Quinta-feira, Março 22, 2007

neugebauer

a resposta gaúcha
pro sonho de valsa
é o amor carioca

- assamambaya bishô,
em "poemas para o entregador de pizza"


estava relendo esse impressionante volume de poemas da gaúcha gaúcha assamambaya bishô quando um amigo me mandou um telex para perguntar se já tinha ouvido falar do "amores expressos", projeto que levará 16 autores brasileiros para o exterior. eles passarão um mês fora e deverão escrever, na volta, uma história de amor ambientada na cidade onde estiveram.

lembrei da última vez que vi assamambaya, ela estava sentada num pires (técnica de meditação que aprendeu durante abdução no hermenegildo) e me dizia: "as pessoas têm problemas com o amor". e depois suspirou e acrescentou: "e com viagens ao exterior".

brasileiros gostam de viajar. eu gosto. mas aqui viajar é símbolo de finura, de gente enricada, e de outras gracinhas mutantes que poderia inventar nas próximas linhas. as pessoas têm invejinha de quem vai. por isso, assamambaya sempre me deu 300 gramas de sal grosso, embrulhadas em rico sachê, antes de dizer baibai.

quando estou me preparando para uma viagem, prefiro não contar pra muita gente. não é que acredite em olho gordo, mas vai saber. minha mãe me ensinou a não alardear projetos. enfim, me ensinou a não alardear.

obrigada, mãe.

continuando. acho que muita gente reclama desse projeto porque, bueno, não foi incluída nele. porque nunca vai conseguir pisar no cairo ou em são petersburgo se não for num projeto desses. também tem muita gente neste país que não sabe escrever projeto de captação de recursos. querem dinheiro? ter um bom projeto e se mexer é um começo.

mas estou aqui para dizer que é bem fácil viajar. basta pegar um ônibus que te deixe na estrada e estender o polegar. querem material pra escrever? taí a dica. querem viajar de graça? taí a dica. "i don't know what the fuss is about", diria assamambaya.


ps: ah, sim, também tem o lance da cobrança por qualidade, se os escritores vão conseguir produzir obras-primas porque viajaram pro exterior e ganharam assombrosos 10 mil reais (euros?). se vai dar certo, eu não sei. ocioso fazer prognósticos. tenho cara de bookie? acho arriscado escrever um romance por encomenda. e um mês numa cidade é pouco para entendê-la. mas se o autor aceitou a proposta, deve saber o que está fazendo.


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