sexta-feira, dezembro 29, 2006

que venga el toro

este post é pra desejar uma boa entrada de ano. que não demorem em servir o prato principal: já estou pensando na sobremesa. "rilke shake" sai no início de 2007. avisarei aqui. desliguem o computador. e feliz ano-novo.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Nova Poética

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido:
Aquele em cuja poesia há a marca suja da vida.
Vai um sujeito.
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada, e na primeira esquina passa um caminhão, salpica-lhe o paletó ou a calça de uma
nódoa de lama:

É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.
Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas,
as virgens cem por cento e as amadas que
envelheceram sem maldade.


Manuel Bandeira

sexta-feira, dezembro 22, 2006

aviões? estetoscópios?
duas garotas se beijando?
melhor: três?
e melhor pra quem?
o que mais tem lá?
coelhos? camelos?
coelhos?
coelhos?
por que bichos?
por que não
hein
angélica freitas?
onde você esconde?
o que mais tem lá?
aviões? estetoscópios?
massinha de modelar?
duas garotas se beijando?
melhor: três?
e melhor pra quem?
eu quero ir aonde
você esconde
o próximo poema.

sábado, dezembro 16, 2006

outono
uma toupeira mente a idade
a um guarda florestal


assamambaya bishô
(1973 - ?),
haikuista gaúcha



assamambaia bishô, por ostra assis

conheci assamambaya bishô no estabelecimento noturno cais entre nós, em pelotas - rs, nos anos 90. ela freqüentava a parte de trás do bar e tinha um papel importante no delicado equilíbrio da fauna local. quase nao abria a boca. as paredes conheciam cada centímetro de suas costas. em 93 vendeu todas as posses (um fusca e uma máquina de escrever remington) só para se arrepender, arranjar um emprego como professora de español no fisk ("djo hablo bien") e comprar, dos novos donos, o mesmo fusca e a mesma máquina. depois sumiu, parece que estava vivendo dentro do fusca na praia do cassino. nessa época começou a escrever poesia e a experimentar novas receitas de miojo lamen -- característica de seu florescente orientalismo. depois apareceu, entrou até no orkut, e ficamos todos felizes com a possibilidade de deixá-la scraps e convidá-la para aniversários. durou pouco. assamambaya apagou o profile depois que três amigos começaram seus testimonials com a pergunta "o que dizer de assamambaya?". temo que nao volte ao convívio das gentes. acabo aqui porque tenho que ir ao super.

dois poemas do livro inédito "poemas para o entregador de pizza":


na pilha ao lado da cama
vinte livros
você nao, você também nao


verao, um toblerone derrete
dentro de uma cançao
de belle and sebastian

sexta-feira, dezembro 15, 2006

garçom?

catulo congelou em versos o cara que pretendia roubar-lhe a garota. e por descuido, durante fabricaçao de pasta de celulose no início do séc. 21, um cabelo imortalizou-se na página 21 do livro de um poeta contemporâneo. per omnia... era cílio? pentelho? pedaço de pêlo? preso na página como han solo em bloco de gelo. ah, menos trágico. mas imortal em porçao individual.

quinta-feira, dezembro 14, 2006


balsa ou valsa
com as duas
se flutua

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Sólo admiras a los antiguos, Vecerro,
y no alabas sino a los poetas muertos:
Perdona, Vecerro, pero no vale
tanto, tu elogio, para morirme.


um epigrama de marco valerio marcial, nascido no ano 40 d.C.. a traduçao é do poeta nicaragüense ernesto cardenal.



dia 18 começa, no rio, o festival do contemporâneo. bem nesse dia eu vou estar na estrada, pra variar. mas estarei presente em forma de poema em forma de vídeo. pra mais info, é só clicar na imagem.

terça-feira, dezembro 12, 2006

uma gota de orvalho
uma formiga
enlouquecendo por ela




tinha creditado esse haiku a kobayashi issa (1763-1827), mas relendo minha fonte hoje de manha ("hormigas sin sombra: el libro del haiku", de maurice coyaud), vi que é de kawabata bôsha (1897-1941). desculpas pelo transtorno.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

a sua eliminaçao por meio de um fenômeno da natureza


tsu 1

a água recede e se transforma em parede.

tsu 2

a água nao pende. explode.

tsu 3

você liga o rádio. too late.