terça-feira, setembro 26, 2006

diário de exploração fora do canteiro



no dia 1. de outubro, a poeta lucía bianco lança finalmente o "diario de exploración afuera del cantero" em bahía blanca, na argentina, onde vive. é certo que a criança já tem um ano, mas não é tarde pra apresentar esse livro, um dos meus favoritos. tanto pelo conteúdo quanto pelo formato: sao três livrinhos pequenos dentro dessa capa dobrável aí do lado, que é amarrada com barbante. não dá pra ver direito, enfim, mas vocês podem acreditar em mim quando digo que é irresistível. traduzi três poemas do livro pra revista inimigo rumor 18, um deles vou postar lá embaixo. é o famoso poema dos frangos, que comentei com minha amiga dona faleiros durante pelo menos dois meses, de tanto que gostamos. em maio fui até bahía blanca com o ricardo domeneck para fazer uma leitura, a convite da lucía. o lugar marcado era a cantina da universidade, mas, por algum motivo, estava fechada. sem problemas. o pessoal que tinha chegado pra assistir e estava na frente da universidade topou atravessar a rua e entrar num barzinho. no fim era tanta gente que todas as mesas estavam lotadas e havia pessoas sentadas no chão. os donos do bar nao quiseram desligar a tv, estava passando um jogo de futebol, mas nao fez a mínima diferença. enfim, foi uma experiência incrível. lucía e amigos continuam fazendo as leituras, intituladas "no es la luna"... num bar. deu certo. e eu quero voltar lá até o fim do ano pra lançar meu "rilke shake" no bar chelsea. por enquanto, me contentarei em assistir a uma leitura da lucía no poquita fe daqui a alguns dias. mais detalhes sobre "no es la luna" e as atividades literárias de bahía blanca no blog da lucía, fiebre por leer.



Bibliografia: Manual de produção
de frangos assados

Pág. 23-Iluminação artificial


Devem evitar-se as lâmpadas oscilantes
que causam situações
de nervosismo
e pânico entre os frangos.

Desejam voltar ao ovo
e não têm Édipo,
deve ser difícil.
O útero de cálcio
tão biodegradável tão

não ter do que sentir saudade
enlouquece.


Bibliografia: Manual de producción
de pollos parrilleros

Pág. 23- Iluminación artificial

Deben evitarse las lámparas oscilantes
que causan situaciones
de nerviosidad
y pánico entre los pollos.

Desean volver al huevo
y no tienen Edipo,
debe ser difícil.
El útero de calcio
tan biodegradable tan

no tener qué estrañar
saca de quicio.

sábado, setembro 23, 2006

tinha que dividir isto com vocês

I am Marianne Dashwood!
Take the Quiz here!


You are impulsive, romantic, impatient, and perhaps a little to vocal in your honesty. You enjoy romantic poetry and novels, and play the pianoforte beautifully. To boot, your singing voice is captivating. You feel deeply, and love passionately.




esse lance do pianoforte é bem verdade.

sexta-feira, setembro 22, 2006

she´s got it,
yeah baby she´s got it




já está no ar o blog do festival CON RIMEL, organizado pela poeta chilena gladys gonzalez (santiago, 1981). é o primeiro encontro de mulheres poetas do cone sul e, segundo ela me disse, nao se organizava nada parecido desde os anos 80. e por isso mesmo vao fazer um documentário sobre o evento. nao é o caso de desenterrar a munhequeira verde-limao pra leitura, nem polainas (eu tive umas horrorosas que faleceram nos primeiros anos dos 90, junto com uma fita cassete do bananarama), mas de se perguntar o porquê desse intervalo de duas décadas. várias coisas me ocorrem, como a ressaca pós-sutia torrado na praça, mas espero ter a resposta lá. se nao tiver, whatever, mas aviso que vou ler dia 6, ao lado da marcia mogro, do diego ramirez e do enrique winter (sim, rapazes também lerao). se alguém estiver passando por coquimbo, vai ser um luxo vê-los por lá. e, claro, vou escrever sobre o encontro aqui.

a gladys me mandou um livro de poemas, o GRAN AVENIDA. ela desnuca pombas com os gelos do whisky. e fala de ella fitzgerald e dylan nos poemas (me ganhou). melhor parar de escrever e deixar-vos com o swing de ms. gonzalez:


Swing

Dua, dua, dua
Ella Fitzgerald
los ojitos de sueño americano
sacudiéndose
en el Savoy

Dua, dua, dua
Gladys González
los ojitos de heroína
sacudiéndose
en la Habana Club

oculta los colores del fracaso
en el mismo swing oscuro

quarta-feira, setembro 20, 2006

lançamento amanhã
na casa das rosas



MININAS é uma publicação de bolso, 10x10 cm, que reúne prosadoras, poetas, fotógrafas, ilustradoras e artistas plásticas em formato simples e charmoso. O propósito é aliar talentos recentes a nomes reconhecidos das artes e literatura brasileiras num inevitável espaço de detalhes e cores, típicos da expressão feminina.

O nome MININAS surgiu do trocadilho “meninas de Minas”, onde foi lançada (Belo Horizonte) em 2003. Circulando inicialmente apenas na capital mineira, a revista acabou ganhando outras freguesias dentro e fora do Brasil. A sexta edição foi traduzida para o francês, sendo distribuída gratuitamente pelas ruas de Paris em comemoração ao Ano do Brasil na França. Em 9 dezembro de 2005 foi a vez de São Paulo, onde a edição nº 7 foi lançada na Livraria da Esquina.

Entre as colaboradoras da revista estão as poetas Annita Costa Malufe, Mônica de Aquino e Flausina Márcia da Silva, as escritoras Maria Esther Maciel e Lúcia Castelo Branco, as artistas plásticas Kitty Amaral, Angelina Camelo, Sarah Jeffries e as fotógrafas Daniela Picoral e Carolina Salgado.

Em 2006, MININAS está sendo viabilizada pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Serão lançadas duas edições, 8 e 9, na Casa das Rosas no dia 21 de setembro. Confira algumas novidades deste ano e entre em contato:

Alguns destaques – edição 8:

Prosa – Andréa del Fuego, Silvana Guimarães...
Poesia – Angélica Freitas, Simone Andrade Neves...
Arte – Dora Ferraz, Bel Xavier, Sissy Eiko...
Perfil e entrevista – da escritora Ana Rüsche/ por Elisa Andrade Buzzo (novo!)
Reportagem – por Maria Lutterbach (novo!)
Romance – trecho de obra da Júlia Lopes de Almeida (1901) (novo!)

Mais destaques – edição 9:

Prosa – Antônia Pellegrino, Guiomar de Grammont...
Poesia – Flávia Rocha, Flausina Márcia da Silva...
Arte – Ana Valadares, Angelina Camelo, Laura Teixeira...
Perfil e entrevista – da artista plástica Chiara Banfi (novo!)
Reportagem – (novo!)
Romance – trecho de obra da Carmem Dolores (1911) (novo!)
História em quadrinhos – Luli Penna (novo!)

*

no fim a revista mininas é que nem yours truly, simples e charmosa, e sujeita a ser distribuída gratuitamente pelas ruas de paris (ok, não). quem for amanhã leva pra casa um poeminha meu, "autofocus", que é sobre remorso e inteiramente fictício! oh!

*

vou dar um pulo em são paulo no fim de outubro para participar de um evento literário. quando chegar mais perto eu conto. trarei nos cabelos a areia do deserto do atacama e mais um punhadinho na mão pra esfoliar o couro dos contentes. e dos descontentes também, afinal, todo mundo merece cuidar bem da pele.

domingo, setembro 17, 2006

muchísima fé ou
festival de links freitas


- aqui o texto que ricardo domeneck escreveu sobre meus poemas na revista flasher.

- a versao original do texto, em português, sairá em novembro na revista portuguesa aguasfurtadas, acompanhando alguns poemas de yours truly. aqui o blog da revista.

- o convite partiu de um dos editores, rui manuel amaral, que escreve no ótimo dias felizes.

- ainda domeneck, o ensaio "ideologia da percepçao", que saiu na inimigo rumor 18, pode ser lido no site da 7 Letras. leitura importante para quem escreve poesia.

- o homem do portuñol, douglas diegues, entrevista o poeta alemao timo berger, um dos organizadores do festival latinale, para sua coluna na cronópios.

- e em outubro:



irei para ouvir e vou comentar aqui. dizem que os chilenos levam poesia muito a sério, e que as leituras sao sensacionais. estou curiosa pra ouvir, entre outros, a paula ilabaca, de quem já me falaram muito bem (ps: acabei de ver que ela em outubro vai estar na latinale, em berlim). também me disseram que os chilenos vaiam quando nao curtem o poeta. vai ser divertido.

sexta-feira, setembro 15, 2006

mocinha radical

eu vou deixar tudo por você
os meus gatos
a minha tv

os meus livros
o meu dvd
vou deixar tudo por você

o meu emprego
o meu sossego
vai ter amigo me ligando
e vai estar sempre desligado
o meu celular

alguma coisa eu vou ter que manter, né
mas vou deixar todo o resto
por você, gracinha

se disser que me ama
vou acreditar
se ocupar toda a cama
nao vou te acordar
vou comprar chocolate
pra você comer
nao vou saber sua senha
do messenger

o meu sucesso
o meu ingresso
pro show da ná ozzetti no sesc pompéia
eu vou omitir

alguma coisa eu vou ter que manter, né
mas vou deixar todo o resto
por você, gracinhaaaaaaaa


dedico esta canción para caetaninho gotardo.

quarta-feira, setembro 13, 2006

body-building skipping

foto: renata freitas
when people is skipping, the foots jump while the hands swing and the belly cooperating. so the whole body moves coordinately to attain the purpose of building up the body. the medical science certificates that the foots are the root of the body which gathering six passages and many acupuncture points. skipping can promote the blood circulation and regulate bodily functions, making the brain being in the exciting condition. it plays a role of clearing the brain and building the body. skipping frequently could strengthen the vigor of the brain cells and improve the ability of thinking.

advanced body-building skip rope,
haonan, made in china

sexta-feira, setembro 08, 2006

"todas as cachoeiras são burras"

entrevista com ostra assis
gentilmente cedida pelo gaúcho diário dos nervos

ostra assis: reclusa (reuters)
diário dos nervos - ostra assis, você tem sido descrita como artista, poeta e reclusa, nessa ordem. foi difícil chegar até você, o que confirma a reclusão. seus poemas já saíram em emplastificadas revistas nacionais e estrangeiras, e sua instalação “o guerguebefe”, cachoeira inteligente patrocinada por uma fábrica paranaense de chuveiros, foi vista por apenas cinco pessoas mas já entrou para o imaginário gaúcho.

ostra assis – sim, sim. todas as cachoeiras são burras, mas “o guerguebefe” foi uma enorme cagada.

dn – uma enorme cagada?
oa - perfeitamente. por isso apenas cinco pessoas o viram. por isso entrou para o imaginário de três famílias, uma em pelotas, duas em rio grande.

dn – poxa. você se censura muito?
oa –
jogo 20 poemas no lixo diariamente.

dn – tudo isso?
oa - (levanta e vai até a lixeira. deixa-a tombar com nonchalance.) veja por você mesma.

dn – vinte manuscritos-bolinha e dois recibos do macdonalds! falemos de poesia. se você joga fora 20 poemas por dia, deve produzir muito.
oa – entre 22 e 21 poemas.

dn – fascinante. algum segredo?
oa – há 23 anos, mantenho minha irmã gêmea, paola francesca, trancada num quartinho nos fundos de casa. ela escreve meus poemas. uma vez por semana, sai para tomar sol.

dn – sua irmã escreve seus poemas?
oa – não só isso. ela lava e passa minha roupa, além de fazer pessegada, que vendemos no mercado municipal para pagar a edição dos livros.

paola francesca: pessegada (reuters)

dn – e paola se importa de não ter o nome na capa?
oa –
prefere, é mais reclusa do que eu. tendência de família. três de nossas quatro tias são carmelitas descalças. a receita da pessegada veio de um convento em potosí.

dn – que história incrível, ostra.


copyright o diário dos nervos s/a. 2006.