quinta-feira, dezembro 15, 2005

Henri Michaux


MINHA VIDA

Tu partes sem mim, minha vida.
Tu rodas,
E eu ainda espero dar um passo.
Tu levas a batalha para além.
Tu me abandonas assim.
Eu nunca te segui.
Não vejo claramente tuas ofertas.
O mínimo que desejo, tu jamais trazes.
Por esta falta, anseio a tanto.
A tanta coisa, quase ao infinito...
Por causa deste pouco que falta, que tu jamais trazes.


Ótimas traduções da Dani Osvald Ramos (Caderno V) na Zunái.

terça-feira, dezembro 13, 2005

meu gatinho leo

domingo, dezembro 11, 2005

al fin y al cabo, o amor, esse scottish toffee,
é ao mesmo tempo fogo & açúcares


você pode trocar tudo na vida por algo mais fácil
uma mulher que não encha o saco, um homem com ar beócio
no século dezoito em strontian, escócia
crawford de edinburgo descobriu o estrôncio
dizem que william cruikshank achou o minério antes
por via das dúvidas os dois estão no histórico
bem como kirwan e klaproth, é claro
mas foi humphrey davy quem isolou o negócio
porém, que tem a ver o estrôncio
com o amor dos salafrários? e daí que é
mais raro que o bário, mais finito que o cálcio
e por ele um méxico se escavoucaria?
é tudo doce e chama e bobeira
nesta história estrôncia de algaravias:
uns compostos vão pra indústria açucareira
outros vão pra pirotecnia.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

boa constrictor

estava enrolada num galho.
a confundi com a árvore -
entre folhas nem se mexia,
a danada. quando me viu
era almoço. e me disse
na língua das cobras:

parada

virei o tronco ela já
vinha. cobreava.
calculava minha espinha.
me poupe eu disse e ela
na língua das cobras negava:
você sabe porque veio

honeypie

e sabe aonde vai.
me envolveu com destreza
deslizou com paciência me
apertou bem as pernas
me prendeu de jeito
até que meu peito

ficou maior

que a alma. um crec crac
de ossos quebrando.
uma lágrima escorrendo:
parecia amor? a felicidade
o sufoco o sangue
subindo pra cabeça

onde toda a história começa.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

john

lembro como foi. minha mãe e eu estávamos dentro do fusca, ouvindo rádio, quando o locutor falou que john lennon tinha sido morto em nova york. minha mãe ficou triste e eu quis consolar.

- mãe, mas ele não era um cabeludo?

foi a única coisa que me ocorreu no repertório de maldades dos meus 8 anos. minha mãe, que estava com as duas mãos no volantão do fusca, não olhou pra mim e disse:

- jesus cristo também era.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

em 98, marcelo noah
passou máquina seis
na minha cabeça

este foi o poema que
escrevi sobre o assunto


rito de passagem

agora que raspei a cabeça
não vou demorar nas esquinas
irritarei os velhinhos
assustarei as meninas
e os cachorros já latem antes de me avistar.

os vizinhos na escada
pensam: coitada! que azar
perguntarão se eu peguei piolho
ou tive queda capilar.

tranco a porta e as janelas
deixo o mundo e seu bedelho
estranha a rua minha cabeça nua
me estranhará o espelho?

segunda-feira, dezembro 05, 2005

entro na livraria do bobo.
não tenho dinheiro
e tampouco tenho talento para o crime.

desfilam ante meus olhos
títulos maravilhosos
moribundos de tanto estar
nas prateleiras.

roube-nos, dizem eles.
não agüentamos mais ficar aqui
na livraria do bobo.

quem acreditaria
nesta versão dos fatos?
ajudem-me, maragatos
nesta hora afanérrima
de uma libertadora paupérrima
de livros.

retumba meu coração. retumba
mais que a bateria do salgueiro.
treme o corpo por inteiro
e as mãos já suam em bicas

ganho a rua, mãos vazias
e os livros gritam: maricas.


porto alegre, 1998

domingo, dezembro 04, 2005

panetones everywhere!

quinta-feira, dezembro 01, 2005

poesia lida por poetas:


http://www.poetryarchive.org/poetryarchive/home.do