terça-feira, outubro 18, 2005

eu vou ali...

amigos, vou parar por enquanto. o tempo está escasso e eu preciso ler e escrever mais. pra isso vou ter de cortar algumas horas de internet. também estou começando a TENTAR organizar meu primeiro livro (a abóbora completa. não, esse não é o título). reescrever, cortar, arrancar os cabelos, essas coisas -- o trabalho sujo. alguns poemas vão sair na próxima inimigo rumor.

e tem uns blogs ótimos de poesia+literatura ali nos links: o da virna (papel de rascunho), o da maira (prosa caótica), o da dani (caderno cinco), o blog do andrei tem umas traduções lindas (the pillow blog), o do carlos besen, o pesa-nervos, o fatal beco, o triagem, o homerbrain... e last but not least, o poetar com deadline, que anda meio dead, mas talvez eu escreva alguma coisa por lá.

sejam bons, tomem chá, se puderem tomem coca normal de garrafinha. obrigada pela leitura. e até a próxima!

ps: o e-mail continua sendo xicaradecha@gmail.com.

segunda-feira, outubro 17, 2005

The House That Jack Built

(nursery rhyme)

This is the house that Jack built.

This is the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the rat
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the cow with the crumpled horn,
That tossed the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the maiden all forlorn,
That milked the cow with the crumpled horn,
That tossed the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the man all tattered and torn,
That kissed the maiden all forlorn,
That milked the cow with the crumpled horn,
That tossed the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the priest all shaven and shorn,
That married the man all tattered and torn,
That kissed the maiden all forlorn,
That milked the cow with the crumpled horn,
That tossed the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the cock that crowed in the morn,
That waked the priest all shaven and shorn,
That married the man all tattered and torn,
That kissed the maiden all forlorn,
That milked the cow with the crumpled horn,
That tossed the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.

This is the farmer sowing the corn,
That kept the cock that crowed in the morn,
That waked the priest all shaven and shorn,
That married the man all tattered and torn,
That kissed the maiden all forlorn,
That milked the cow with the crumpled horn,
That tossed the dog,
That worried the cat,
That killed the rat,
That ate the malt
That lay in the house that Jack built.
How do I love thee?


How do I love thee? Let me count the ways.
I love thee to the depth and breadth and height
My soul can reach, when feeling out of sight
For the ends of being and ideal grace.
I love thee to the level of every day's
Most quiet need, by sun and candle-light.
I love thee freely, as men strive for right.
I love thee purely, as they turn from praise.
I love thee with the passion put to use
In my old griefs, and with my childhood's faith.
I love thee with a love I seemed to lose
With my lost saints. I love thee with the breath,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
I shall but love thee better after death.


Elizabeth Barrett Browning

domingo, outubro 16, 2005

since feeling is first

since feeling is first
who pays any attention
to the syntax of things
will never wholly kiss you;

wholly to be a fool
while Spring is in the world

my blood approves,
and kisses are a better fate
than wisdom
lady i swear by all flowers. Don't cry
- the best gesture of my brain is less than
your eyelids' flutter which says

we are for each other; then
laugh, leaning back in my arms
for life's not a paragraph

and death i think is no parenthesis


e. e. cummings
quando eu era pequena e lia a bíblia, a história da mulher que virou um pilar de sal sempre me apavorava. e na akhmatova, encontrei a simpatia das que ousavam olhar pra trás. o final sempre acaba comigo.


Lot's Wife

Anna Akhmatova

And the just man trailed God's shining agent,
over a black mountain, in his giant track,
while a restless voice kept harrying his woman:
"It's not too late, you can still look back

at the red towers of your native Sodom,
the square where once you sang, the spinning-shed,
at the empty windows set in the tall house
where sons and daughters blessed your marriage-bed."

A single glance: a sudden dart of pain
stitching her eyes before she made a sound . . .
Her body flaked into transparent salt,
and her swift legs rooted to the ground.

Who will grieve for this woman? Does she not seem
too insignificant for our concern?
Yet in my heart I never will deny her,
who suffered death because she chose to turn.

sexta-feira, outubro 14, 2005

estatuto do desarmallarmemento

minha senhora, tem um mallarmé em casa?
você sabe quantas pessoas morrem por ano
em acidentes com o mallarmé?

estamos organizando uma consulta popular
para banir de vez o mallarmé em nossos lares
as seleções do readers digest fornecerão

contêiners onde embarcaremos os exemplares,
no porto de santos, de volta pra frança.
seja patriota, entregue seu mallarmé. olê.

quinta-feira, outubro 13, 2005

treze de outubro

escrever um poema sem calor em são paulo
um poema sem ação: sem carros, sem avenida paulista

quando eu morava na augusta, escrevia poemas sobre a augusta
a augusta não me deixava dormir

(escrever um poema em que se durma na augusta
e sobretudo, escrever um poema sobre dormir

sem você.) esta é a primavera fajuta da delicadeza
(não consigo terminar este poema)

quarta-feira, outubro 12, 2005

doze de outubro

a cafeteira faz dez xícaras, metade eu já bebi
mais quatro horas para o fim da tarde
e se isto não é solidão é silêncio
e se há barulho é a máquina de lavar roupas
minha vida no modo centrifugar
modo centrifugar é melhor que modo de espera
standby aí que eu vou ali comprar cigarros
e afinal é melhor ir do úmido ao seco
do que padecer de uma secura eletroeletrônica
tudo aqui nos conformes, tudo nas tomadas
o mais é coisa da minha cabeça.
The Director Who Films Your Life Test

Woody Allen

Your film will be 63% romantic, 39% comedy, 23% complex plot, and a $ 38 million budget.

Be prepared to have your life story shot entirely in New York City -- though lately Woody's been loving shooting in London. Also, your music soundtrack is all jazz from before 1949. Filmography: Annie Hall, Manhattan, Stardust Memories, Everyone Says I Love You, etc. Woody has released one film per year consistently for the past 35 years. For the past 15 years he's been trying to make films like his older, funnier ones, just like characters in his Stardust Memories film suggest throughout. Regardless of his personal life, his films are American classics.

You scored higher than 87% on action-romance
You scored higher than 77% on humor
You scored higher than 2% on complexity
You scored higher than 64% on budget


peguei o teste na gaybee. e quem sou eu pra negar o woody? rs. adoro essas bobagens.

terça-feira, outubro 11, 2005

elfenbein

todo mundo tem uma sina

eu te direi:
eu tenho uma sina

penso em richard dadd
em bedlam
desenhando fadinhas

penso no fauno
do doutor lao
assombrando fodinhas

e te direi:

love, bivalve.
da série poemas com deadline:

versus eu

lá embaixo um samba que não me chama
pois não conhece o meu nome

segunda-feira, outubro 10, 2005

casino

você prefere o cru
ao creme:
boca ostra língua
lago lua lugar
paisagem com pinheiros
ao fundo. você sempre
preferiu o cru
ao écrã, insônia a
barbeiro de sevilha.
paisagem de pinheiros
com abismo
por trás.

você precisa
habitar as elipses
precisa dissecar
o sapo da poesia
- não abole o poço.
salta saltador
o grande salto.
a maresia come
as rodas do carro.
você prefere o cru,
nem precisava
ter dito.

sábado, outubro 08, 2005

finalmente
ver estrelas


depois de conversa com v.


eu queria alguém que viesse
com um ponto de exclamação e desse
uma cacetada na minha cabeça

ou então que colocasse
os pontos no meu bolso
e eu só os descobriria

quando fosse pagar a média
na padaria. no meio das moedas.
no início do outro dia.

sexta-feira, outubro 07, 2005

líquido gasoso sólido
& ausente



sorria:

é a primavera
nos nervos!

santa sobriedade,
batman!

vamos misturar metáforas
com gasolina
derrubar cadeiras
arrepiar esquinas!

em seguida

quando estivermos
OFFLINE!



é a primavera
é a primavera que mente tanto no meu profile

a janela no canto da tela

traz a primavera
que você vai salvar

vai mandar pra alguém

em horário de almoço

a primavera
implode,
muda a senha

(alguém acabou de pedir sua atenção)


*

para dona faleiros
siobhan 4

a.

onde andará siobhan
que trens pega
pra trabalhar

em que biblioteca
lê as mulheres
que já pararam de respirar

onde andará siobhan
um sol no peito
eu olhava enquanto ela dormia

quando ela acordava
cobria o sol
ia buscar jornais.

b.

onde andará siobhan
sumida no solstício
de volta com um sorriso

um anel de 50 centavos
ela andava comigo
de mãos dadas

na rua, minha mão
deslizava por sua cintura, ela
ria, não dizia nada

quando dizia era
não se acostume
comigo

logo você
vai
embora.

c.

às vezes ela ficava
de quatro, o símbolo
celta nas costas

ela conhecia os trens
conhecia o porto
de hamburgo

um dia
apanhou de um cara
quando voltava pra casa.

d.

um dia
abriu o armário
e me mostrou um corpete

de couro
riu e disse
a gente não precisa usar.

e.

será que ela pensa em mim
será que também pergunta
o que aconteceu

com as boas garotas
de sodoma, essas que
sempre

se beijavam nas escadas
sumiam nas bibliotecas
preferiam virar sal?

terça-feira, outubro 04, 2005

love me

você no bar de um hotel de quinta
em paris ouvindo polnareff com
um daiquiri na mão
na mesa uma gérbera dá o último
suspiro, as cortinas de veludo
já eram, o garçom

chama a sua atenção. você
perdida je suis fou de vous,
ele traz outro drinque e
sorri, você pensa aqui
não é cancun

e se pergunta quanto
tempo dura um garçom.

cinco euros, ele acende
um gitanes que você então
vai fumar distraída, com a
classe estudada

de 500 holly golightlys.

domingo, outubro 02, 2005

correção

uma vez eu publiquei aqui um poema do nei duclós, "declaração", e disse que foi musicado pelo nei lisboa. bom, o nei lisboa gravou, mas quem musicou foi o mutuca weyrauch. desculpa, nei duclós. o n.d. tem uma página de poemas musicados: www.consciencia.org/neiduclos. as duas gravações estão lá.