terça-feira, agosto 30, 2005

cornucópia

daí o unicórnio chegou no balcão do xerox e disse: eu quero uma cópia do meu corno. "do seu chifre?", a mocinha arregalou os olhos depositando no chão uma série de apostilas. "do meu chifre, aspa, binga, guampa, chavelho, como queira, só precisa ser rápido, porque estou em horário de almoço." a mocinha incrédula chamou o patrão, um careca com uma calculadora. "que que foi, nunca viu um unicórnio antes? atende." o unicórnio começava a praguejar e alisar o chifre, que parecia uma concha daquelas de caramujo bem finiiiinhas que dão na praia. então a mocinha levantou a tampa do balcão e o unicórnio passou pro lado de dentro e foram os dois fazer as cópias. na loja ao lado, uma lanchonete, uma cenoura de maus bofes sentava e pedia um suco de abacaxi.
há exatos dois anos eu pegava um vôo da KLM para düsseldorf com escala em amsterdã.

e hoje de manhã chegou uma caixa de livros da alemanha. cinco exemplares do mesmo livro, do qual participei com uma reportagem. exigência final da bolsa. (eu fiz estágio num jornal, o westdeutsche allgemeine zeitung.)

deu saudade. vontade de viajar de novo.

segunda-feira, agosto 29, 2005

citi strikes back

eu escrevi aquele poema do citibank semana passada (e aliás deve estar muito RUINHE, ninguém comentou nada, né, peçual?). aí esses dias caminhando pela paulista me deparei com um outdoor do banco: "ver pôr-do-sol da janela do escritório não vale", ou coisa assim.

então tá, né?

eu tenho que ver o pôr-do-sol enquadrado pelas janelas de la redacción, infelizmente, de outra forma não poderei manter esse nível de vida luxuoso que levo. o status me obriga.

instituições financeiras, blergh. se não tivesse vento eu bem que poderia tentar acertar um tomate no citibank daqui da minha janela (a mesma de onde eu vejo o pôr-do-sol rebatido). mas eu preciso ganhar dinheiro, com licença.

sexta-feira, agosto 26, 2005

Oh, won't you stay
We'll put on the day
And we'll talk in present tenses


joni mitchell,
chelsea morning

terça-feira, agosto 23, 2005

porque eu perdia a pose mamãe me deu uma cadeira elegante de veludo burgundy para chupar a tinta das minhas canetas bic. três anos no balé tutus e tafetás e ainda perdia a pose.

mamãe disse vou comprar uma cadeira para que pelo menos sente elegantemente. papai chegava tarde e ao me ver sentada lendo pedro nava suspirava e tirava trollope da estante. “leia

os clássicos, é importante." era o entendimento de papai o self-made man marido de mamãe a de quatro sobrenomes.

daí minha aversão por heráldica e estofados.

daí por que nunca li chaucer antes.
moby dick escreveu herman melville, make no mistake.

e querem saber meus primeiros parágrafos favoritos de todos os tempos? moby dick e lolita.

segunda-feira, agosto 22, 2005

laranja sobre fundo cinza


na janela do citibank um pôr-do-sol rebatido

riscado por edifícios antenas e helipontos

quem espichar o pescoço ganha um jaraguá? mas ninguém espicha o pescoço

e eu fico na minha cadeira tomando chá

e pensando que na janela do citibank tem um pôr-do-sol rebatido

e que dentro do citibank computadores processam investimentos


$

sábado, agosto 20, 2005

arrasto minha alma angélica pela avenida angélica até o parque buenos aires com o meu truman capote reader

acendo um lucky strike e leio sobre tennessee williams

uma anedota

ele e capote num bar gay e uma mulher (hetero) chega com um delineador e pede autógrafo ao redor do umbigo

truman diz me deixa em paz

tennessee pega o delineador e assina truman capote

a mulher volta pra mesa o marido bêbado busca encrenca

pau pra fora da calça

já que vocês estão autografando tudo eu quero um autógrafo aqui

tennessee olha o pau do cara e diz

não vejo onde truman possa dar autógrafo mas se quiser posso assinar as iniciais

sexta-feira, agosto 19, 2005

o truman capote novinho é tão belle and sebastian, né?

quarta-feira, agosto 17, 2005

e hoje eu vim pro trampo ouvindo nick drake, bryter layter. carreguei no ipod. o bryter é uma pequena obra de arte. pra ser ouvida do início ao fim. te conduz e eu acho isso raro. mas queria falar mesmo de uma música, "fly". uma canção de evocação de estado de graça. ou de melancolia. como preferir. eu sentei aqui na minha cadeira e ouvi, tendo ao lado o citibank e lá embaixo o mar de engravatados na alameda santos. não sei, não sei, não sei. estado de graça, melancolia. a beleza às vezes acontece de ser meio triste. mas isso você sabe.

terça-feira, agosto 16, 2005

jézzica pode não responder
(porque seu status está definido como ausente)


dedilhei um roquenrou nos fios de alta tensão
pra ver se nessa altura ela me ouvia
eram três da madrugada
nenhum grilo cricrilava, nenhum cachorro latia
das janelas tomates, ovos e gritos
e ela dormindo com plugue nos ouvidos.


escrito a dois teclados com bruna beber
NADA TANTO ASSIM
Leoni / Bruno Fortunato

Só tenho tempo pras manchetes no metrô
E o que acontece na novela
Alguém me conta no corredor
Escolho os filmes que eu não vejo no elevador
Pelas estrelas que eu encontro
Na crítica do leitor
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa
Mas nada tanto assim
Só me concentro em apostilas
Coisa tão normal
Leio os roteiros de viagem
Enquanto rola o comercial
Conheço quase o mundo inteiro
Por cartão postal
Eu sei de quase tudo um pouco
E quase tudo mal
Eu tenho pressa
E tanta coisa me interessa...

*

eu amo kid abelha da primeira fase. valeu.

segunda-feira, agosto 15, 2005

offline


exercício de literatura. escrever um diálogo que contenha as palavras 215 e idiota. - existem 300 garotas querendo andar no seu calhambeque. - não, apenas 215. - idiota.

mentira. o diálogo já existia na minha cabeça.

a isso chamamos engenharia reversa.

pensa pensa em engenharia.

em caramanchões, conchas acústicas. peças que se desprendem, blocos suicidas. uma marquise que escolhe as vítimas. marquise de sade.

você e o seu péssimo senso de humor.

o ascensorista me pergunta o andar em letras. eu digo décimo, sem açúcar. ele suspeita que eu sofra do fígado.
eu que nunca fiz parte da jeunesse dorée

tomar coca-cola sabor cereja no rockets é legal. mais legal ainda se você pedir umas moedinhas de 5 cents pro garção e enfiar na jukebox e escolher all i have to do is dream. ou respect. ou hit the road jack. pra acompanhar a coca-cola e celebrar a boa companhia.

eu gosto tanto de são paulo.

sábado, agosto 13, 2005

eu preciso dizer que te amo

neil young faz tudo na exata medida dos meus ouvidos. estou apaixonada por after the gold rush . poderia ficar uma semana inteira aqui na sala ouvindo esse disco e fumando um e outro cigarrinho só pra suspirar. e o harvest é um dos melhores discos de todos os tempos (com a exceção de "a man needs a maid", que é escrota). ouçam neil young. e o bob dylan e a joni mitchell.

e o último single do júpiter maçã é GENIAL. diversão garantida.

terça-feira, agosto 09, 2005

don't let it bring you down
it's only castles burning,
just find someone who's turning
and you will come around


neil young, don't let it bring you down
agosto a oitava coelhinha da playboy
ou o templo dourado de kinkakuji
ou um gato e um pato num cesto

meu avô não gostava de agosto
dizia agosto mês de desgosto
quando passava dizia agora não morro mais