sábado, julho 30, 2005

- Mas você andou lendo meus scraps de novo, Helène?

sexta-feira, julho 29, 2005


Série Pessoas Bacanas que se Foderam no Amor
Pessoa n.º 1: Djuna Barnes

A escritora Djuna Barnes, a mocinha da esquerda, se fodeu lindamente no amor e registrou a história no romance Nightwood. Djuna foi vítima de uma chifradora em série. Na Paris dos anos vintepoucos isso era um esporte municipal, mas veja bem, pra Djudju ficar mals pra caramba e escrever uma vingancinha, podemos inferir que foi alvo de profundas sacanagens. Talvez se ela tivesse um blog a coisa se resolvesse em poucos parágrafos. Mas naquela época era preciso publicar livros pra conseguir se aliviar. Não foi uma vingancinha qualquer, teve prefácio do TS Eliot, tá? Agora você está provavelmente se perguntando quem é a moça da direita, a cabeluda. Bom, a cabeluda é Natalie Barney, a dona do salão de moças (arram) mais bem freqüentado de Paris, no less. Ok, depende do ponto de vista, mas qualquer reunião que incluísse Djudju Barnes e Gerty Stein se soletra f-e-s-t-a pra mim. Então, eu não sei se a Natalie Barney se fodeu no amor, mas uma coisa é certa. No quesito cabelos, ela tocou o foda-se. Favor respeito.

Um blog é um site de fácil utilização, onde você pode postar rapidamente o que pensa, interagir com as pessoas e muito mais. E tudo isso é GRÁTIS.

"eu quero a sorte de um amor tranqüilo com gosto de fruta mordida." bom, a sorte de um amor tranqüilo só se for num asilo para a terceira idade, não? porque na chuventude o amor é um bicho selvagem & galopante que você vai comendo cru às dentadas enquanto ele te arrasta furioso pela floresta. muitos ficam para trás, completamente estropiados, empunhando tufos de pêlos ou penas coloridas. troféu. já quanto à fruta mordida, se o amor tranqüilo for finalmente encontrado num lar de idosos, o sabor provavelmente será banana amassada ou purê de maçã. vai morder com a chapa pra ver o que te acontecerá. o que me leva a crer que, no fundo, o amor é um problema de dentição.

epílogo

gertrude stein cabelo dos césares
alice olhos negros de gipsy
josephine baker djuna barnes
nós cinco na sala de espelhos
eu era alice e djuna era josephine
gertrude stein era gertrude stein era gertrude stein
na saída gertrude me puxou pelo braço
e me disse muito zangada: não achei graça
no que você publicou nos jornais
me derrubaria como um tanque da wehrmacht
não fosse por ezra que passeava ali com seu bel esprit
lésbicas são um desperdício ele disse
você já ouviu falar em mussolini?

quarta-feira, julho 27, 2005

josephine baker e a saia de bananas
jogo sujo,
allegro andante


às cinco em ponto fui correndo pro jardim de luxembourg

num pé só porque a bota me apertava

chegando lá 'idiota' alguém gritou

era alice com uma lata de conservas


estava escuro eu caíra na emboscada

rolava em socos com alice sobre a relva

até que a outra resolveu mostrar a cara

era a baker em sua saia de bananas

terça-feira, julho 26, 2005

ombro/épaule


planos sempre são muitos com a mulher dos outros

mas dois coelhos matam de cajadada só

djuna disse melhor não apostar em quem

só vai acordar ao seu lado by chance

e me pagou um conhaque e me deixou no portão

sexta-feira, julho 22, 2005

alice babette,
primeiro movimento


no hotel a surpresa uma carta de alice

que sabia e suportava assando imensos vol-au-vents

o papel era uma seda muito fina uma lâmina

não exalava nem colônia nem canard

fui abrindo o envelope o papel era uma seda

na mesinha um envelope e era a letra de alice

quinta-feira, julho 21, 2005

a mulher dos outros


fiquei muito tempo naquela banheira sem água pensando por que gertrude me havia deixado

as unhas roxas dedos enrugados naquele banheiro sem aquecimento num apartamento perto do jardim de luxemburgo

sem amor e sem toalha

ela tem alice e basket eu sou a terceira excluída

noutros tempos rilke me chamaria pro jardin des plantes

hoje eu digo adeus e vou pra gare du nord

lou andreas me espera em göttingen plantaremos beijos na gänseliesel

segunda-feira, julho 18, 2005

Something
Robert Creeley

I approach with such
a careful tremor, always
I feel the finally foolish

question of how it is,
then, supposed to be felt,
and by whom. I remember

once in a rented room on
27th street, the woman I loved
then, literally, after we

had made love on the large
bed sitting across from
a basin with two faucets, she

had to pee but was nervous,
embarrassed I suppose I
would watch her who had but

a moment ago been completely
open to me, naked, on
the same bed. Squatting, her

head reflected in the mirror,
the hair dark there, the
full of her face, the shoulders,

sat spread-legged, turned on
one faucet and shyly pissed. What
love might learn from such a sight.

sexta-feira, julho 15, 2005

na banheira com gertrude stein



gertrude stein tem um bundão chega pra lá gertude stein e quando ela chega pra lá faz um barulhão como se alguém passasse um pano molhado na vidraça enorme de um edifício público

gertrude stein daqui pra cá é você o paninho de lavar atrás da orelha é todo seu daqui pra cá sou eu o patinho de borracha é meu e assim ficamos satisfeitas

mas gertrude stein é cabotina acha graça em soltar pum debaixo d'água eu hein gertrude stein? não é possível que alguém goste tanto de fazer bolha

e aí como a banheira é dela ela puxa a rolha e me rouba a toalha

e sai correndo pelada a bunda enorme descendo a escada e ganhando as ruas de st.germain-de-près
conversa com o cachorro

querido rin tin tin:
o fim do poema não sai de mim

quinta-feira, julho 14, 2005

Pra quem for à FLAP...

O pessoal da revista Metamorfose vai lançar um zine na Flap e, ó que coisa, tem um poema meu lá. O zine se chama Casulo. Eu já li e posso dizer: coisa linda. E o meu poema vem ao lado de um poema do Caetano Gotardo (que felicidade). E lá dentro tem mais poemas: da Lilian Aquino (que me convidou) e do Israel Azevedo e das mentes por trás da Metamorfose: Andrea Catrópa e Eduardo Lacerda. Então, edição histórica, pessoal! ;-)

*

Se Pablicente Araújo estiver na linha: precisamos dar um jeito nO Amor, Esse Sabonete. O que dura mais: o amor, o sabonete ou a pregui absolu de Angél Frei? Nem precisa responder.

quarta-feira, julho 13, 2005

i tell you this, i read it in the
news agency today oh boy


an international team of scientists
has uncovered
a rare type of neutron star
so elusive
that it took three satellites
to identify it

lady scientist gasped:

"it is exciting
to find something
so elusive.
how many more sources
like this are out there?”

to which herr doktor replied:

“our galaxy’s spiral arms
are loaded with neutron stars,
black holes and other exotic objects,

but the problem is

that the spiral arms
are too dusty
to see through”

now the important bit:
her phone number is
IGR J16283-4838

segunda-feira, julho 11, 2005

I Am a Cowboy in the Boat of Ra
(Ishmael Reed)

'The devil must be forced to reveal any such physical evil
(potions, charms, fetishes, etc.) still outside the body
and these must be burned.' (Rituale Romanum, published
1947, endorsed by the coat-of-arms and introductory
letter from Francis cardinal Spellman)



I am a cowboy in the boat of Ra,
sidewinders in the saloons of fools
bit my forehead like O
the untrustworthiness of Egyptologists
who do not know their trips. Who was that
dog-faced man? they asked, the day I rode
from town.

School marms with halitosis cannot see
the Nefertiti fake chipped on the run by slick
germans, the hawk behind Sonny Rollins' head or
the ritual beard of his axe; a longhorn winding
its bells thru the Field of Reeds.

I am a cowboy in the boat of Ra. I bedded
down with Isis, Lady of the Boogaloo, dove
deep down in her horny, stuck up her Wells-Far-ago
in daring midday getaway. 'Start grabbing the
blue,' I said from top of my double crown.

I am a cowboy in the boat of Ra. Ezzard Charles
of the Chisholm Trail. Took up the bass but they
blew off my thumb. Alchemist in ringmanship but a
sucker for the right cross.

I am a cowboy in the boat of Ra. Vamoosed from
the temple i bide my time. The price on the wanted
poster was a-going down, outlaw alias copped my stance
and moody greenhorns were making me dance;
while my mouth's
shooting iron got its chambers jammed.

I am a cowboy in the boat of Ra. Boning-up in
the ol' West i bide my time. You should see
me pick off these tin cans whippersnappers. I
write the motown long plays for the comeback of
Osiris. Make them up when stars stare at sleeping
steer out here near the campfire. Women arrive
on the backs of goats and throw themselves on
my Bowie.

I am a cowboy in the boat of Ra. Lord of the lash,
the Loup Garou Kid. Half breed son of Pisces and
Aquarius. I hold the souls of men in my pot. I do
the dirty boogie with scorpions. I make the bulls
keep still and was the first swinger to grape the taste.

I am a cowboy in his boat. Pope Joan of the
Ptah Ra. C/mere a minute willya doll?
Be a good girl and
bring me my Buffalo horn of black powder
bring me my headdress of black feathers
bring me my bones of Ju-Ju snake
go get my eyelids of red paint.
Hand me my shadow

I'm going into town after Set

I am a cowboy in the boat of Ra
look out Set here i come Set
to get Set to sunset Set
to unseat Set to Set down Set

usurper of the Royal couch
imposter RAdio of Moses' bush
party pooper O hater of dance
vampire outlaw of the milky way
segunda-feira, manhã:



versão um, latte

metade da humanidade
quer minúsculos sustentáculos
eu só quero saber
onde foram parar meus óculos



versão dois, vodka na beira da cama

metade da humanidade
quer másculos sustentáculos
eu só quero achar
a porra dos meus óculos

domingo, julho 10, 2005

i look up when i walk
(sukiyaki song)

ue o muite arukou
namida ga kobore naiyouni
omoidasu harunohi
hitoribotchi no yoru
ue o muite arukou
nijinda hoshi o kazoete
omoidasu natsunohi
hitoribotchi no yoru
shiawase wa kumo no ueni
shiawase wa sora no ueni
ue o muite arukou
namida ga kobore naiyouni
nakinagara aruku
hitoribotchi no yoru
(whistling)
omoidasu akinohi
hitoribotchi no yoru
kanashimi wa hosino kageni
kanashimi wa tsukino kageni
ue o muite arukou
namida ga kobore naiyouni
nakinagara aruku
hitoribotchi no yoru
(whistling)

Sung by Sakamoto Kyu
Words by Rokusuke Ei
Music by Hachidai Nakamura

sábado, julho 09, 2005

tanto mais terrível
quanto mais próximo
do natal ou outro
grande feriado


seu monólogo
algum álcool
olho no meu
convenceu
a mesa ao lado
quanto a mim
olho no seu
toda ouvidos
submissa a
monossílabos
hmm, ok,
era isso
despeço a raiva
de ter visto
peço a conta
pano rápido

quinta-feira, julho 07, 2005

home is approximately where the mess is
all things must pass

a sístole
da epístola

a diástole
da pistolinha d'água


*

sweet nothings

your hand in mine
it's summer

and then you said
i wish summer

had ten m's
so it would last longer

domingo, julho 03, 2005



esta que vos escreve, lembrando sempre aos queridos leitores que adorno não é enfeite.

sábado, julho 02, 2005

anotações
(que não deram em nada)

1

a cabeça:
feito bucho vazio
de cachorro magro

2

estava feliz
tinha comprado o guinness book of records
& um saco de caramelos

3

'eu escrevo para mim
& para os outros',
disse o pintinho amarelo de corda do camelô

4

cobweb or im keller des herzens:
estou no porão do meu coração
aqui não tem internet

sexta-feira, julho 01, 2005

vontade de rir à beça
de escrever um poema que se chame
'o amor, este sabonete'

hoje é sexta-feira.