quinta-feira, junho 30, 2005

quarta-feira, junho 29, 2005

Prestatenção, ó!


* Na segunda-feira, dia 4, vai ter lançamento do livro Distância, da poeta
Virna Teixeira. I'm a lucky girl, já tenho o meu exemplar.

Uma palhinha:


OUTUBRO

enquanto cortava as hastes
do buquê de gérberas
amarelas

logo após a chuva

uma luz dourada
- entre nuvens -

incediava o céu


(Aaaaaaah, como ela consegue? Me sinto um paramécio em comparação.)


Então, vai ser lá no Bar Balcão. Aqui vai o reclame direitinho, copiado do blog da Virna:


São Paulo (04/07)

Lançamento coletivo dos últimos lançamentos das editoras 7 letras e Cosac & Naif e das revistas Inimigo Rumor e Ficções.

Local: Bar Balcão.
Rua Dr Melo Alves, 150.
Cerqueira César.
Horário: a partir das 20h.



* A outra coisa é que vai ter a FLAP aqui em São Paulo, no dia 16 de julho. É uma resposta paulistana à FLIP. Se você não vai porque não tem grana, ou porque acha o evento uma coisa de burguês, ou porque acha que é a Fashion Week da Literatura, ou porque não gosta de viajar, ou porque o Jô Soares vai... meu amigo, minha amiga, o seu lugar é na FLAP.

Mais informações
aqui.

domingo, junho 26, 2005

Poetry in motion

Fred Girauta, do
Palavrório e do Triagem, movimentou um poema que escrevi no Poetar com Deadline.
O resultado está aqui.

Eu achei FANTÁSTICO.

Fred, agora você abriu a caixinha de Pandora. Estou feito criança na manhã de Natal. Muito obrigada!

sexta-feira, junho 24, 2005

vou acordar cedo, ligar a cafeteira
pôr o pão na torradeira e sentar à mesa
e te odiar por ter me dito sorrindo
e te odiar por ter me dito chorando
que já não dá mais
e te odiar sobretudo por não ter me dito
que já não dá mais
vou odiar não me chamar johnny
e não ter uma arma de qualquer calibre
e não ter uma pistolinha que dispara água
e nem um bodoque de borracha envelhecida
pra ejetar essa coisa qualquer que ficou na garganta
vou pegar o café na cafeteira
encher a caneca e tomar sem açúcar
vou pegar o pão na torradeira
e cobri-lo com uns nacos de manteiga
não tenho tempo para ser
um poema de prévert
tomo meu café e saio
e na rua o ipê roxo
me lembra que o grande e nunca banal ciclo da vida veja só meu amigo
continua
e sobretudo deixa a mensagem clara quando alguém escorrega nas flores gosmentas caídas no chão e precisa ir ao pronto-socorro levar pontos no queixo
no ponto de ônibus tem sempre um rapaz
alegre ouvindo qualquer coisa que soa como erasure
por mim – hoje é sexta – ele que se engane pra sempre no fio de seu iPod.
Sara
Bob Dylan


I laid on a dune, I looked at the sky,
When the children were babies and played on the beach.
You came up behind me, I saw you go by,
You were always so close and still within reach.

Sara, Sara,
Whatever made you want to change your mind?
Sara, Sara,
So easy to look at, so hard to define.

I can still see them playin' with their pails in the sand,
They run to the water their buckets to fill.
I can still see the shells fallin' out of their hands
As they follow each other back up the hill.

Sara, Sara,
Sweet virgin angel, sweet love of my life,
Sara, Sara,
Radiant jewel, mystical wife.

Sleepin' in the woods by a fire in the night,
Drinkin' white rum in a Portugal bar,
Them playin' leapfrog and hearin' about Snow White,
You in the marketplace in Savanna-la-Mar.

Sara, Sara,
It's all so clear, I could never forget,
Sara, Sara,
Lovin' you is the one thing I'll never regret.

I can still hear the sounds of those Methodist bells,
I'd taken the cure and had just gotten through,
Stayin' up for days in the Chelsea Hotel,
Writin' "Sad-Eyed Lady of the Lowlands" for you.

Sara, Sara,
Wherever we travel we're never apart.
Sara, oh Sara,
Beautiful lady, so dear to my heart.

How did I meet you? I don't know.
A messenger sent me in a tropical storm.
You were there in the winter, moonlight on the snow
And on Lily Pond Lane when the weather was warm.

Sara, oh Sara,
Scorpio Sphinx in a calico dress,
Sara, Sara,
You must forgive me my unworthiness.

Now the beach is deserted except for some kelp
And a piece of an old ship that lies on the shore.
You always responded when I needed your help,
You gimme a map and a key to your door.

Sara, oh Sara,
Glamorous nymph with an arrow and bow,
Sara, oh Sara,
Don't ever leave me, don't ever go.


Copyright © 1975 Ram's Horn Music

segunda-feira, junho 20, 2005

o que passou pela cabeça do violinista
em que a morte acentuou a palidez ao
despenhar-se com sua cabeleira negra &
seu stradivarius no grande desastre
aéreo de ontem



mi
eu penso em béla bártok
eu penso em rita lee
eu penso no stradivarius
e nos vários empregos
que tive
pra chegar aqui
e agora a turbina falha
e agora a cabine se parte em duas
e agora as tralhas todas caem dos compartimentos
e eu despenco junto
lindo e pálido minha cabeleira negra
meu violino contra o peito
o sujeito ali da frente reza
eu só penso


mi
eu penso em stravinski
e nas barbas do klaus kinski
e no nariz do karabtchevsky
e num poema do joseph brodsky
que uma vez eu li
senhoras intactas, afrouxem os cintos
que o chão é lindo & já vem vindo
one
two
three


(escrito durante a oficina de poesia com carlito azevedo, no sábado. o violinista é personagem de um poema do jorge de lima, "o grande desastre aéreo de ontem".)

sexta-feira, junho 17, 2005

Hoje, no Itinerários da Poesia, Carlito Azevedo, Manoel Ricardo de Lima e Augusto Massi. Às 19h, no Sesc Consolação.

quinta-feira, junho 16, 2005

Feliz Bloomsday!

*

Hoje é o segundo dia do encontro poético promovido pelo Sesc Consolação -- às 20h, falam Virna Teixeira e Marcos Siscar.

ITINERÁRIOS DA POESIA

Poetas falam sobre a poesia que se faz hoje no Brasil e contam seus itinerários: quem são, o que pensam, como se formaram, que autores leram e foram importantes em seus percursos poéticos até agora.

Marcos Siscar e Virna Teixeira

O poeta e professor de Teoria da Literatura, na Unesp de São José do Rio Preto, conversa com a poetisa, neurologista, tradutora e autora do livro de poemas "Visita".

Grátis

16/06 Quinta, 20h
SESC Consolação
endereço: Rua Dr. Vila Nova, 245
Vila Buarque

quarta-feira, junho 15, 2005

poemas

mesmo os menores,
a esmo, não podem
ser julgados piores:

todo o poema faz
parte de uma arte
maior, que apraz

quando vista de cima,
de trás, viva, em retrospectiva.

terça-feira, junho 14, 2005

from Helen in Egypt: Eidolon, Book III: #4

Helen herself seems almost ready for this sacrifice--at least, for the immolation of herself before this greatest love of Achilles, his dedication to "his own ship" and the figurehead, "an idol or eidolon . . . a mermaid, Thetis upon the prow."

Did her eyes slant in the old way?
was she Greek or Egyptian?
had some Phoenician sailor wrought her?


was she oak-wood or cedar?
had she been cut from an awkward block
of ship-wood at the ship-builders,


and afterwards riveted there,
or had the prow itself been shaped
to her mermaid body,


curved to her mermaid hair?
was there a dash of paint
in the beginning, in the garment-fold,


did the blue afterwards wear away?
did they re-touch her arms, her shoulders?
did anyone touch her ever?


Had she other zealot and lover,
or did he alone worship her?
did she wear a girdle of sea-weed


or a painted crown? how often
did her high breasts meet the spray,
how often dive down?


H.D. (Hilda Doolittle)

domingo, junho 12, 2005

leo

te amo tigre
pequeno. cor
rendo atrás
do besouro
tomando banho
de sol.
entre as
paredes do
apartamento
um tigre
pequeno.
vejo na tua
pupila uma áfrica
imensa
imemorial.
imóvel para
o carinho
três beijos
entre as orelhas
e balanças as
patas pretas.
- me solta!
um tigre que
chora quando
vai ao veterinário.
que destrói
caixas de sapatos.
que dorme com
a cara afundada
no sofá.

sexta-feira, junho 10, 2005

blog

você me diz, confusa: escritor chega até a linha de fundo
e cruza

Marcelo Montenegro, em "Orfanato Portátil"
come round
for tea

the mean
ing of life
is for tea
two
yeay!


e este eu ganhei da dani ramos:


Mais um café?
- É claro que eu tô a fim.
Mas por que, mesmo, que a gente é assim?
Vê se ao menos me engole
mas não me mastigue com o sabor
das horas passadas.
Dá tempo, ainda?
- Um carioca.
O termo "passado" não é usado aqui.
Que passa, então?
- Os venenos fortes.

quinta-feira, junho 09, 2005

para quem tem acesso à ilustrada, recomendo ler a entrevista do j.g. ballard e a coluna do contardo calligaris. o primeiro está lançando "terroristas do milênio" no brasil. o romance "descreve a classe média como um novo proletariado que se rebela contra a força opressora da mesmice inventada para mantê-la em seu lugar", nas palavras de alexandre matias, que fez a entrevista. está muito boa. vão se informar melhor lá.

a coluna do calligaris é intitulada "o sociopata, nosso vizinho". vale a pena ler. "Ora, Stout (Martha Stout, autora de The Sociopath Next Door) propõe conceber a consciência moral de um jeito diferente: não como fonte das interdições que nos constrangem, mas como tesouro das condições que permitem nossos laços afetivos. Se não mato, roubo, prevarico, não é porque obedeço a prescrições estabelecidas, mas é pelo vínculo que me liga a outros que respeito e amo. ajo corretamente porque desejo poupá-los dos desgostos que minha conduta imoral acarretaria."

terça-feira, junho 07, 2005

lindo, lindo

ganhei um poema do fred girauta!


Para Angelica

Pode um poema
gerar gentileza
quando há nele
um traço sutil
que detona
um olhar de beleza
Faça alguma gentileza inesperada hoje. É uma proposta. Ontem entrevistei Lama Palzang e sua mulher, Pema Gellek, no Instituto Nyingma (de budismo tibetano), para uma singela matéria que estou tramando. Pema, que é tradutora do marido - ele só fala tibetano - conversou comigo sobre estar presa no trânsito, coisa que acontece bastante com ela em San Francisco (EUA), onde o casal mora. Eles ensinam no Nyingma de Berkeley.

Resumindo, a professora disse que é uma opção nossa "denegrir" esse tempo em que estamos presos dentro do carro. Que é um momento tão bom quanto qualquer outro, especialmente para praticar a compaixão. Para olhar para o lado e ver as centenas de pessoas que estão na mesma condição que você. E para mudar os hábitos. Em vez de sair buzinando e cortando o cara que está na sua frente, deixe ele passar. A sua vida não "começa" quando você chega no escritório.

E aí ela falou sobre ações aleatórias de gentileza (não lembro se são as palavras exatas, teria que olhar no bloquinho, mas é isso). Contou que na Golden Gate Bridge, em San Francisco, algumas pessoas pagam o pedágio para dois ou três carros estão atrás.Quando os caras chegam no guichê e ficam sabendo que podem guardar o dinheiro, não entendem nada. "What?? But why???". Ela riu bastante contando isso.

Ser gentil é divertido. Mãos à obra.


este post é de maio do ano passado. mas continua valendo. ser gentil ou grosseiro é mesmo uma opção. não adianta se enganar, estamos todos no mesmo barco.

segunda-feira, junho 06, 2005

Personals ad
Allen Ginsberg

Poet professor in autumn years seeks helpmate companion protector friend young lover w/empty compassionate soul exuberant spirit, straightforward handsome athletic physique & boundless mind, courageous warrior who may also like women&girls, no problem, to share bed meditation apartment Lower East Side, help inspire mankind conquer world anger & guilt, empowered by Whitman Blake Rimbaud Ma Rainey & Vivaldi, familiar respecting Art's primordial majesty, priapic carefree playful harmless slave or master, mortally tender passing swift time, photographer, musician, painter, poet, yuppie or scholar. Find me here in New York alone with the Alone going to lady psychiatrist who says Make time in your life for someone you can call darling, honey, who holds you dear can get excited & lay his head on your heart in peace.
a primeira parte de "an die freude", ou "ode à alegria", do schiller, há alguns anos é um mantra pessoal. nada como um guindastão dos clássicos para te arrebatar & catapultar às estrelas. há dois dias, oráculo ébrio e eu olhávamos o céu de tanta sereza e serenávamos a cuca sob a constelação de escorpião. a alegria é mesmo a centelha dos deuses.

Freude schöner Götterfunken,
Tochter aus Elysium,
Wir betreten Feuertrunken,
Himmlische, dein Heiligtum!
Deine Zauber binden wieder,
Was die Mode streng geteilt.
Alle Menschen werden Brüder,
Wo dein sanfter Flügel weilt.

você conhece isso. foi musicado pelo beethoven, é a nona sinfonia. eu quero ser feliz, você quer ser feliz, gather round, fogueira de centelhas, queimando nas fotos dos satélites.

quarta-feira, junho 01, 2005

Then she opened up a book of poems
And handed it to me
Written by an Italian poet
From the thirteenth century.
And every one of them words rang true
And glowed like burnin' coal
Pourin' off of every page
Like it was written in my soul from me to you,
Tangled up in blue.

(bob dylan, tangled up in blue)