quarta-feira, abril 27, 2005

On Neal's Ashes

Delicate eyes that blinked blue Rockies all ash
nipples, Ribs I touched w/ my thumb are ash
mouth my tongue touched once or twice all ash
bony cheeks soft on my belly are cinder, ash
earlobes & eyelids, youthful cock tip, curly pubis
breast warmth, man palm, high school thigh,
baseball bicept arm, asshole anneal'd to silken skin
all ashes, all ashes again.


Allen Ginsberg, agosto de 1968

terça-feira, abril 26, 2005

como bolinar um coração bolinar um coração bolinar um coração


sou mulher da glamurama
foder faz parte da fama.
saturn inside-out

shank is
the part of the ring
that circles
the finger
claracrocodiloshow
:::21H:::1080AM:::


::glauco mattoso::bill burroughs::marcelo noah::paul dutton::arnold schoemberg::fabio godoh::carlos drummond::glauber rocha::bruna beber::paulo leminski::arnaldo antunes::joão mognon::samuel
beckett::biafra::gertrude stein::pepê e neném::manuel bandeira::julio cortázar::andré sovaco::paulo autran::pedro garcez::lobão::menudo::e vai...


nesta terça-feira, às 21H na Rádio da Universidade 1080AM. você também pode escutar pela rede, acessando o site www.ufrgs.br/radio e clicando em AO VIVO (só precisa d real player, ok?). valeu?! beijo, só há sol a sós.


Esta mensagem foi enviada por Marcelo Noah para Angélica.

segunda-feira, abril 25, 2005

como bolinar um coração de ouro


sou flaubert do fliperama
a forma faz parte da flama.

domingo, abril 24, 2005

metade dos meus amigos tá tomando bola
eu vejo o céu azul de são paulo descascar sobre a minha cabeça de vento
feito tinta seca de pintura velha e deixo que caia nos ombros nos cabelos
nesta tarde de domingo. trinco os dentes é preciso não chorar
quando entra half of what i say is meaningless but i say it just to reach you
trinco toda. o maxilar relaxa engulo a comida eu sorrio suave sim eu quero
mais coca-cola. quantas vezes mesmo o john vai dizer half of what i say is meaningless?
quando eu não posso cantar meu coração (ah meu coração de melão) eu só
posso dizer o que penso. sim eu quero passear no elevado
ver os prédios os tanques de lavar a praça marechal deodoro.
metade dos meus amigos não leu mario de andrade nem vai ler
e se o digo que o céu está descascando eles dizem tu tá louca?
e a gente ri e eu tomo mais coca-cola.

sexta-feira, abril 22, 2005

Minha guru da música e da antifrescura, Bruna Beber, elaborou uma lista que recomendo como leitura imediata. Inspirei-me em tão necessário serviço de utilidade pública e dou-vos agora a minha, arrastada para as letras. In no particular order:


1. Foguinho, Jules Renard. Todas as crianças deveriam ter acesso a esta maravilha da maldade familiar. Tô com preguiça, segue descrição do site das Americanas: O menino ruivo, protagonista dos acontecimentos cotidianos da vida familiar na província, é um herói de outro tipo: mente, tem piolhos, finge tomar banho, é mau com alguns bichos e com algumas crianças. Além disso tudo, desenvolve uma visão crítica do mundo, em que entram a ironia e o humor. E ele só se fodia. Maraviloser!

2. No News at Throat Lake, Lawrence Donegan. Para jornalistas. O cara trabalhava no Guardian, era um dos Commotions do Lloyd Cole, encheu o saco e foi chafurdar na Irlanda rural. De cortar palavras a serrar chifres de touros, quanta diferença. E a rotina do jornaleco onde ele arrumou emprego é deliciosa.

3. The Growing Pains of Adrian Mole, Sue Townsend. Um clássico. My mother’s gone right off me since Rosie was born. She was never a particularly attentive mother – I always had to clean my own shoes. But just lately I have been feeling emotionally deprived. If I turn out to be mentally deranged in adult life, it will all be my mother’s fault.

4. Todas as resenhas de livros perpetradas por Dorothy Parker. This is not a book to be tossed aside lightly. It should be thrown away with great force.

5. Why I live at the PO, Eudora Welty. Meu conto favorito de todos os tempos. Por que não escrevo contos? Ah, porque a Eudora já escreveu esse aí. E o To Build a Fire, do Jack London, é o segundo favorito da minha listinha.

6. Tudo do Whitman, Uivo do Ginsberg, Paranóia do Piva. Um vento na bunda literário. Põe aí todo o Mário de Andrade, também. Ui!

7. ABC da Literatura, Ezra Pound. Se você tiver que escolher um só livro SOBRE literatura pra ler, que seja este. Viva a melopéia, a fanopéia, a Alcéia e a Meméia.

8. Italienische Reise. As viagens do J.W. Goethe pela Itália. Goethe sabia que era bom tomar sol no cocuruto. Um belo relato.

9. Tudo da Marianne Moore. Ela é essencial. Concisa, tudo na medida certa. E apesar de precisa, dizia que a poesia não pode ser controlada. MM é grande, praticamente insuperável. Eu digo praticamente porque sou otimista e sempre espero ser surpreendida.

10. Tudo da Elizabeth Bishop. Porque tudo que ela escreveu é muito bom. Era amiga da MM. E nela confiava. A Bishop morou no Brasil. Viagens são temas recorrentes. Refletia sobre, digamos, o estado de espírito do turista. E escreveu grandes poemas sobre o Brasil. Recomendo dar uma folheada na livraria. Abra ao acaso, bata o olho e, se gostar, vai apreciar o restante.

11. A Moveable Feast (Paris é uma Festa), Ernest Hemingway. Um livro sobre a cidade mais foda do mundo: PARIS. E é um livro foda também sobre a vida dos escritores que nela moraram na primeira metade do século passado. Gertrude Stein, Sylvia Beach, Pound, Fitzgerald, Joyce, Ford Madox Ford... Tá todo mundo lá.

12. The Autobiography of Alice B. Toklas, Gertrude Stein. Outro maravilhoso livro sobre a vida dos artistas e escritores em Paris. Mas, todo mundo sabe, o livro é mesmo sobre Gertrude Stein.

13. Shakespeare and Company, Sylvia Beach. Mais um livro sobre Paris e escritores. Miss Beach sabe contar uma história. E descreve com gosto. A americana fundou uma das livrarias mais famosas da cidade, que hoje funciona de frente para o Sena, pertinho da Notre Dame. Apareceu até no "Antes do Pôr-do-Sol" (filme que recomendo). Muito do livro é sobre o James Joyce e o "Ulysses", que ela editou.

14. Down and Out in Paris and London, George Orwell. Relato sobre dois períodos de penúria do escritor, nas cidades acima citadas. Depois de ler esse livro, você vai pensar duas vezes antes de ir a um restaurante chique. E vai aceitar panfletos na rua. Ou não, enfim. Seilá.

15. Casa-Grande & Senzala, Gilberto Freyre. O homem de Apipucos tinha preconceito contra índios e judeus, sim. Apesar disso, é um livro rico e deve ser lido com um interesse arqueológico. Você vai começar a olhar o entorno com outros óculos.

16. Vida e Morte de Grandes Cidades, Jane Jacobs. Mrs. Jacobs começou como jornalista, observando a cidade. Virou expert. Fez perguntas que não deixaram os urbanistas dormir. Algumas das respostas estão nesse livro aí. Muita gente acha datado e tal, mas eu digo: leia sem medo se você tem algum interesse pela cidade e como ela vive.

17. Du Monde Entier e Au Coeur du Monde, Blaise Cendrars. Esse poeta franco-suíço era amigo de Oswald e dos modernistas. Veio visitá-los no Brasil. Escreveu sobre isso. Eu acho foda os poemas de São Paulo. Ah, na verdade, praticamente tudo dele é foda. Tem alguma coisa traduzida pro português na internet, procurem. E ele deu uma entrevista maravilhosa pra Paris Review. Recomendo fortemente, se você pretende escrever poesia a vida inteira.

(lista atualizada em 24.4)
rules from above


dear ms freitas you are not
allowed to use words like
alabaster inolvidable unravel
conchlike we grant you epimorphous
bloomdelirious rapacioustube
orgasmubiquitous whatevericious
roulettemaster enginebroken
riotblue yellowletter redbaston
greendimanche ropetorn lunettescratch

quarta-feira, abril 20, 2005

eu peguei um texto no site do museu getty, quebrei e ficou assim:


eucharides painter
(at the getty)

A boy plays
the double flutes
for a young reveler
on this Athenian
red-figure kalpis

several clues
—the provision basket
hanging on the wall
the wreath on the youth's head
and the boy's red ribbon—
indicate
that the action
takes place

at a symposion or aristocratic
drinking party

the youth
who is shown as just
old enough to grow
a downy beard on his cheeks
holds a walking stick and
the case for the boy's flute

he approaches the boy
with a hand lowered toward
his genitals
the standard gesture

of young men courting boys.



(o texto original está aqui. recomendo.
é a descrição de um vaso grego, o tal de
red-figure kalpis. tá de bobeira?
visite o getty.)

segunda-feira, abril 18, 2005

reinvenção do front


sabe bala zunindo
e soldado lendo
carta de amor
na trincheira
zzzzzzpiiiiiiiiiiiiiiiuuuu?

sou eu.

domingo, abril 17, 2005

esclerose viária

se você fosse sincera ôôô augusta opa quer dizer ôôô aurora
a melhor coisa do mundo é andar de bonde


tudo que eu espero é um chope escuro com meu bem
que mané schopenhauer chopeshcuro com meu bem
amolecer a gôchice que a gaúcha tem
ou não tem mais, não sei
que mané disneylândia um rolê pela cinelândia
com meu bem
que tem um fu e um viô
que curte bossa e neil young
se me descuido bangue bangue
que me incendeia que é um horrô
um dia eu vô
voltar pra beber

um chopishcuro
com meu bem

sábado, abril 16, 2005

which state
has the longest
coastline:

hold my hand
and take me to the shipyard
in this fine april morning
i want to see the sea
want to see plastic bottles float
want to greet the stevedores
want to hear them say
we look alike.
o supermercado é um hospício
que contém o pior do trânsito.

sexta-feira, abril 15, 2005

fodasse

sempre tem fila na padaria do capeta
pro pão que o diabo amassa na hora
paga na saída e a vida é gorjeta
- meu bem e eu tamos fora.

meu bem e eu tamos fora.
meu bem e eu tamos fora.

botox na alma e um olho tão grande
que se aumentar estoura
estorvos gerais, macumbas, jornais
- meu bem e eu tamos fora.

meu bem e eu tamos fora.
meu bem e eu tamos fora.

encheção de saco, medo, armário
(neosaldina é um mal necessário)
a diana krall, o ratzinger, o mário (que mário?)
- meu bem e eu tamos fora.

meu bem e eu tamos fora.
meu bem e eu tamos fora.

beep beep beep yeah,

meu bem e eu tamos fora.


(clap clap. valeo.)

quinta-feira, abril 14, 2005

beats and pounds



abc of literature

.

terça-feira, abril 12, 2005

wave meets shore

since this country was invaded was invaded was invaded was invaded was invaded was invaded was invaded was invaded was invaded i have
waded i have waded i have waded i have waded i have waded i have waded i have waded i have waded i have waded i have waded in deeper waters
now it's time it's high time it is time to learn to
swim.

segunda-feira, abril 11, 2005

mundo mundo muito louco
como quando onde e hãn
os lixeiros mandam samba
e os poetas tocam spam

sábado, abril 09, 2005

eu vou ali

por
motivo
de
força
maior
(1m75)

sexta-feira, abril 08, 2005

TURNo vinte e DOZE!


gugu gagá



(copyright bb)

terça-feira, abril 05, 2005

mobrau

[endje] a esperanssa é a única q morre
[endje] última
[endje] ahahaha
[brunabeber] AAHAHAHHA
[endje] matei as esperanssa agora só tem os cronópeo e as fana
[endje] fana
[endje] faMA caraleo
[brunabeber] éé´, ta foda

segunda-feira, abril 04, 2005

veda as frestas eu
vento.

domingo, abril 03, 2005

XXXVI

Como sempre, escondi minha paixão.
Ninguém soube do primeiro beijo que te dei.
Ninguém não é a inteira verdade
Mas são tão relativos os desconhecidos...
São Paulo já é uma grande capital.
Não porque tenha milhares de habitantes
Porém a curiosidade já não passa mais
dos olhos pras línguas.
E quanto mais intenso é amar sem comentários!

Mas eu sonho que vais agarradinha em meu braço
Numa rua toda cheia de amigos, de soldados, conhecidos...

(Mário de Andrade, em "O Losango Cáqui")

sábado, abril 02, 2005

hoje amanhã hoje a manhã até as 12 de
pois é tarde
palavra uma pá de cal no segundo um chamamento alguém atende do outro lado alguém sopra contra o vento alguém me lê alguém vê
que a palavra é uma pá de cal no que passou que a palavra cicatrizou a fenda aberta no tempo que a palavra
pôs uma pá de cal no vento e voou voou voou letra pra tudo que é lado
FECHA A CONTA, FAZFAVOR


Cantada (depois De Ter Você)
Composição: Adriana Calcanhoto

Depois de ter você...
Pra que querer saber
Que horas são
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que, que é serve uma canção
Como essa...Depois de ter você
Poetas para que
Os deuses, as dúvidas
Pra que amendoeiras pelas ruas
Para que servem as ruas?
Depois de ter você...
Depois de ter você.
a geladeira daqui de casa pode ser um desastre em termos de conteúdo. mas desde que minha irmã me mandou uma caixinha de fridge poetry, quanta diferença. nunca fiquei tanto tempo na frente da cônsul. tenho exercitado meu lado imagético e conciso. em parte porque há muitos substantivos e também porque, apesar da novidade, tenho um pouco de preguiça de ficar catando todos os ímãs que preciso. o resultado tem sido de uma orientalidade shazam. não vou publicar aqui, é tão legal que tenho medo que algum imagista sem imaginação me róbe. haha. agora vou ali ver se o café está pronto. da última vez que fui ver, há 15 minutos, reparei que não tinha ligado a cafeteira. cabeça.
keats quando estava deprimido
se sentindo mais pateta que poeta
vestia uma camisa limpa
eu tomei um banho
com os dedos ajeitei os cabelos
vesti roupas limpas
olhei praquele espelho
o suficiente pra
sem relógio caro
fazer pose de lota macedo soares
e sem pistola automática
pose de anjo do charlie
então eu disse: "é, gata"
rápida peguei as chaves
e saí num pulo
só fui rir no elevador.

sexta-feira, abril 01, 2005

a little something to
remember me
by
just a little something
remember me
bye


freud is pica