quarta-feira, novembro 26, 2003

Descobri uma mosca la em casa. Pera la: mosca, no quase-inverno do hemisferio norte? Sim, mosca. Mosquinha. Primeiro pensei em afasta-la, fazendo suaves movimentos com as maos, como uma dancarina flamenca (desajeitada), tudo o que dava para fazer da cama, com uma das maos ocupadas (livro). Depois pensei em plaft, mata-la. Mas como devemos respeitar todos os seres vivos, dei um nome pr'ela: Germanita. E deixei ela ficar por la.

domingo, novembro 23, 2003

De "The Book of Repulsive Women", Djuna Barnes

FROM FIFTH AVENUE UP


SOMEDAY beneath some hard
Capricious star—
Spreading its light a little
Over far,
We'll know you for the woman
That you are.

For though one took you, hurled you
Out of space,
With your legs half strangled
In your lace,
You'd lip the world to madness
On your face.

We'd see your body in the grass
With cool pale eyes.
We'd strain to touch those lang'rous
Length of thighs,
And hear your short sharp modern
Babylonic cries.

It wouldn't go. We'd feel you
Coil in fear
Leaning across the fertile
Fields to leer
As you urged some bitter secret
Through the ear.

We see your arms grow humid
In the heat;
We see your damp chemise lie
Pulsing in the beat
Of the over-hearts left oozing
At your feet.

See you sagging down with bulging
Hair to sip,
The dappled damp from some vague
Under lip,
Your soft saliva, loosed
With orgy, drip.

Once we'd not have called this
Woman you—
When leaning above your mothers
Spleen you drew
Your mouth across her breast as
Trick musicians do.

Plunging grandly out to fall
Upon your face.
Naked—female—baby
In grimace,
With your belly bulging stately
Into space.

terça-feira, novembro 18, 2003

nao e frieza
bochum remix

e com essa eu vou sumindo na umidade
chove a conta-gotas chove chove
e com essa eu vou
umindo na sumidade.
voce o que parece?

supeito que o poco tem olho


tanto tanto. o strassenbahn passa.
eu fecho o punho e atravesso a rua.
sim. e vou

agora.

*

para constar:
ha um mes achei o meu primeiro fio de cabelo branco.

domingo, novembro 16, 2003

the moleskine post



isto e um moleskine


Passei o dia inteiro esperando que parasse de chover. Li o Die Zeit, vi TV. Chuva chuva chuva. Comi o que restou da pizza de salami, que comprei na pizzaria Italia, que por sua vez e do paquistanes Ali. Que sempre me oferece cafe. Ha quarenta minutos decidi enfrentar a chuva. Vim pra este cybercafe. E agora, emails lidos e post postado, vou para o Cafe Konkret. Com meu moleskine e um lapis.

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To lose a passport was the least of one's worries: to lose a notebook was a catastrophe. In twenty odd years of travel, I lost only two. One vanished on an Afghan bus. The other was filched by the Brazilian secret police, who, with a certain clairvoyance, imagined that some lines I had written - about the wounds of a Baroque Christ - were a description, in code, of their own work on political prisoners.

Bruce Chatwin, um cara que gostava de moleskines

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'I never travel without my notebook.
One should always have something
sensational to read in the train.'

Oscar Wilde

sexta-feira, novembro 14, 2003

Nossa lingua alemesa

Hoje de manha pedi pra um politico "desvalorizar" o sistema de metro de Bochum. Eu queria dizer "avaliar". Mas ele era da oposicao. Acho que nao se importou muito. Deve ate ter gostado! Ontem eu escrevi que um ladrao consegue arrombar uma casa depois de poucas "tentacoes". Sim, a palavra certa era "tentativas".

Depois disso aqui, qualquer arida conferencia em portugues vai ser fichinha.


quarta-feira, novembro 12, 2003

Miss F: O que muda quando a gente faz trinta anos?
Frau K.: Ora, nada muda.
Miss F: Ta, mas tipo assim, eu tenho um monte de perguntas.
Frau K: Por exemplo?
Miss F: Por exemplo, devo pensar em comprar um apartamento?
Frau K: Por que?
Miss F: Ue, um monte de gente da minha idade esta comprando apartamento.
Frau K: Mas a sua vida nao esta estruturada do jeito da maioria das pessoas mesmo.
Miss F: Ahn.

sábado, novembro 08, 2003

Senhoras e senhores, de Frederico Schiller, "A Luva".
(Ou: "Bem feito pra Cunegunda!")


The Glove
Friedrich Schiller


Before his lion-court
Impatient for the sport,
King Francis sat one day;
The peers of his realm sat around,
And in balcony high from the ground
Sat the ladies in beauteous array.
And when with his finger he beckoned,
The gate opened wide in a second
And in, with deliberate tread,
Enters a lion dread,
And looks around
Yet utters no sound;
Then long he yawns
And shakes his mane,
And, stretching each limb,
Down lies he again.

Again signs the king, -
The next gate open flies,
And, lo! with a wild spring,
A tiger out hies.
When the lion he sees, loudly roars he about,
And a terrible circle his tail traces out.
Protruding his tongue, past the lion he walks,
And, snarling with rage, round him warily stalks
Then, growling anew,
On one side lies down too.

Again signs the king, -
And two gates open fly,
And, lo! with one spring,
Two leopards out hie.
On the tiger they rush, for the fight nothing loth,
But he with his paws seizes hold of them both
And the lion, with roaring, gets up, - then all's still,
The fierce beasts stalk around, madly thirsting to kill.

From the balcony raised high above
A fair hand lets fall down a glove
Into the lists, where 'tis seen
The lion and tiger between.

To the knight, Sir Delorges, in tone of jest,
Then speaks young Cunigund fair;
"Sir Knight, if the love that thou feel'st in thy breast
Is as warm as thou'rt wont at each moment to swear,
Pick up, I pray thee, the glove that lies there!"

And the knight, in a moment, with dauntless tread,
Jumps into the lists, nor seeks to linger,
And, from out the midst of those monsters dread,
Picks up the glove with a daring finger.

And the knights and ladies of high degree
With wonder and horror the action see,
While he quietly brings in his hand the glove,
The praise of his courage each mouth employs;
Meanwhile, with a tender look of love,
The promise to him of coming joys,
Fair Cunigund welcomes him back to his place.
But he threw the glove point-blank in her face:
"Lady, no thanks from thee I'll receive!"
And that selfsame hour he took his leave.


A entrevista com o Eduardo Goncalves foi um sucesso de publico! Heh. O pessoal aqui e doido por futebol, e ate agora ninguem tinha feito uma entrevista com o cara.

Bueno, fiquei bem contente. Mas que medinho... Eles estao me dando umas pautas de verdade. Eu pensava que ia acompanhar os reporteres, observar as coisas do meu cantinho (que seria atras de uma planta, de preferencia bem grande). Que nada! Ja me puseram no servico.

Mesmo eu errando os artigos e tal. Alemao tem substantivos femininos, masculinos e neutros, ta? Nunca mais vou rir quando ouvir coisas como "o meu cachorrinha" da um cidadao alemao que se esforca para aprender a ultima flor do lacio. Nie wieder!

Agora eu vou pra casa estudar... alemao. Bom fim de semana.

quarta-feira, novembro 05, 2003

Ta pensando que e moleza?

Segundo dia de trampo no Westdeustche Allgemeine Zeitung. E ja me mandaram entrevistar um jogador brasileiro que esta em fase de test-drive pelo Vlf Bochum, o melhor time destas bandas. O mocinho se chama Eduardo Goncalves, tem 21 anos e jogava no Nautico, do Recife. Eu sei que voces sabem que o Nautico e do Recife, mas eu nao sabia.

Bom, dai que eu entrevistei o Eduardo. Ele ainda nao fala alemao. Esta aqui ha apenas dois meses. Para poder treinar, fez uma lista de expressoes futebolisticas, com a ajuda do amigo Caju, que joga no Dortmund. E tem aula de alemao tres vezes por semana, com a namorada, Lilian, de 17.

Foi divertido.

Depois tive que visitar as obras do metro de Bochum. Isso sim foi dificil. Porque foi em alemao-tecniques, e isso eu ainda nao domino, ne?

Agora eu vou la pra minha linda casinha, toda mobiliada com coisinhas da Ikea. Vou la limpar os meus sapatos, xujos da lama subterranea de Bochum.





segunda-feira, novembro 03, 2003

Pra vossa informacao, ai vai um link sobre Bochum. E embaixo, uma musica sobre a cidade onde nasceu Herbert Grönemeyer, um dos dinossauros do rock alemao. Pensei em traduzir, mas nao da tempo! Sorry. Basicamente e um hino sobre a nao existencia de frescura na cidade. Com direito a comparacao com Düsseldorf, a "lady" das cidades alemas. Bom, depois eu escrevo mais sobre Bochum. To gostando daqui!
Herbert Grönemeyer - Bochum

From the album "4630 Bochum"


Tief im Westen,
wo die Sonne verstaubt
Ist es besser,
viel besser, als man glaubt
Tief im Westen

Du bist keine Schönheit
Vor Arbeit ganz grau
Du liebst dich ohne Schminke
Bist 'ne ehrliche Haut
Leider total verbaut
Aber grade das macht dich aus

Du hast'n Pulsschlag aus Stahl
Man hört ihn laut in der Nacht
Du bist einfach zu bescheiden
Dein Grubengold
Hat uns wieder hochgeholt
Du Blume im Revier

[Chorus]
Bochum
Ich komm' aus dir
Bochum
Ich häng' an dir
[oh] Glück auf,
Bochum

Du bist keine Weltstadt
Auf deiner Königsallee
Finden keine Modenschauen statt
Hier, wo das Herz noch zählt
Nicht das große Geld
Wer wohnt schon in Düsseldorf?

Chorus

Bochum
Du bist das Himmelbett für Tauben
Und ständig auf Koks
Hast im Schrebergarten deine Laube
Machst mit 'nem Doppelpass
Jeden Gegner nass
Du und dein Vfl

Bochum

domingo, novembro 02, 2003

E agora comecam as RUHR CHRONICLES neste esquecido blog de excessos de Miss F.

Hoje e meu primeiro dia em Bochum, cidade que vai ter de me acolher por dois meses. Fica no vale do Rio Ruhr. A cidade vive(u) de atividades carvoeiras. O principal museu daqui naturalmente e sobre... a extracao de carvao.

Bom, bom. E Bochum nao e nome de pereba. Ta?

Viva a revolucao industrial.

Ate o proximo post. (Vou nessa porque estou num cybercafe onde se respira fumaca de cigarro. Os alemaes fumam demais!)



PS: Vou fazer meu estagio neste jornal aqui.